Você não é uma ilha!

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Isso é certeza: nós somos seres sociais! Sendo assim, é preciso compreender que além de sermos indivíduos, somos também pessoas pertencentes a uma sociedade e por isso a todo tempo nos relacionamos um com os outros. Vale ressaltar que essa interação ocorre não somente por necessidades profissionais, mas também porque necessitamos do estabelecimento de relações interpessoais para que criemos ligações emocionais. Essas relações se caracterizam pela intimidade, crescimento e resiliência. Construímos esse tipo de relacionamento a partir de uma vinculação segura, confortável, com expectativas que podem ser a procura por companhia, amor, compreensão, amizade. Já que somos seres sociais, é natural que nos relacionemos com a família, com os amigos, com o companheiro, com os colegas de trabalho, com a chefia, com os funcionários do restaurante que frequentamos, entre tantos outros.

O relacionamento humano não é simples. Pelo contrário: é altamente complexo, já que exige que saibamos interagir favoravelmente uns com os outros, levando em consideração que o outro tem valores, culturas, normas, expectativas e meios de comunicação que podem ser diferentes dos que eu possuo. A interação social é um processo em que agimos e reagimos de acordo com o que nos rodeia. Por isso, os relacionamentos precisam de ser trabalhados e a sua eficiência influencia o contato social definitivo. Um recente estudo da Universidade da Califórnia afirma que o simples fato de nos recordarmos de uma pessoa querida pode reduzir a percepção da dor, o que é muito interessante. Desse modo, reconhecemos que o suporte social é importante também para nossa saúde física e mental. Isso faz com que pensemos de maneira mais dedicada sobre o valor dos relacionamentos interpessoais, os quais comprovadamente nos ajudam a sermos mais saudáveis.

A nossa vida é organizada a partir de padrões semelhantes de comportamento. Os seres humanos têm hábitos, regras e um cotidiano que permite uma vida saudável e regular, reconhecendo com o que podem contar. Não obstante, temos nos dado conta que a modernidade não tem favorecido os contatos sociais mais estreitos. Atualmente, muitas pessoas trabalham em casa; outras, são autônomas e desenvolvem uma atividade profissional sem muitas pessoas ao redor. Há também os que trabalham de uma maneira solitária, em horários não comerciais. Estamos na era das tecnologias, das redes sociais e da internet presente a todo tempo, permitindo que de uma maneira virtual, continuemos a nos comunicarmos com nossa família, amigos e conhecidos, mas de uma maneira real, com um relacionamento cada vez menos frequente. Isso é complicado porque acaba por inibir a cumplicidade do contato cara a cara, com partilhamento de emoções e sentimentos. Sendo assim, como ter mais tempo para nos relacionarmos melhor uns com os outros?

O primeiro passo é reorganizar a nossa semana, tendo como uma das prioridades estar com alguém que gostamos. Evite diálogos virtuais e sugira encontros reais em um local onde goste de estar e onde possa conviver. Dê mais atenção às pessoas a seu redor: elas são preciosas! Não deixe que desentendimentos fiquem sem esclarecimento e solução e não permita que o fato de discordar de uma posição pese mais do que a relação que tem com aquela pessoa. Tenha um tempo para si junto dos outros. Procure um hobby que possa realizar na companhia de alguém. Faça um esforço e se encontre com os amigos que têm significado para você ou com os quais não se encontra há um bom tempo. Uma boa conversa nos relaxa e faz com que sintamos prazer. Seja gentil, delicado e meigo e procure tempo para estar com a família.

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Dependência emocional: um vício

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Tudo o que é em excesso faz mal, e isso é um fato. Essa afirmação é tão correta, que até mesmo nas nossas relações interpessoais ela se aplica. Quando nos tornamos dependentes emocionalmente, o nosso nível de desestruturação se assemelha às dependências mais conhecidas, como o álcool, drogas, jogos, comida, entre outros. Devido a isso, ela deve ser encarada com atenção.

Quando nos tornamos dependentes a nível emocional, sentimentos um grande medo da liberdade e por isso passamos a nos comportar de forma submissa, sem nenhuma confiança, com dificuldades na tomada de decisões, além de um enorme medo da separação, do abandono e especialmente da solidão. É importante ressaltar que a dependência emocional não acontece somente nas relações afetivas. Em todas as nossas experiências sociais, seja no âmbito profissional, econômico, sexual, podemos desencadear essa dependência.

Esta pode surgir ainda na infância, quando a criança não tem as suas necessidades emocionais atendidas. Esse pequeno ser pode se desenvolver com uma intensa sensação de vazio, com a certeza da falta, o que faz com que ele busque a completude em algo. Pode fazê-lo na comida, no álcool, nas drogas, nos relacionamentos. Quando nos sentimos incompletos na infância, desenvolvemos uma tendência a nos tornarmos um adulto com baixa autoestima e com uma necessidade exagerada da aprovação de todas as pessoas ao nosso redor.

Especificando a dependência emocional, nesta o sujeito é bastante prestável, o que cria uma falsa sensação de controle nos relacionamentos. Assim como em qualquer outra dependência, a recuperação não é algo simples, já que há uma visão de que é mais fácil continuar buscando a felicidade em fatores externos do que desenvolver recursos internos para preencher a lacuna que nos falta.

Se você reconhece que se encaixa nesse perfil, o primeiro passo é procurar ajuda. Partilhar com outras pessoas e com um psicólogo as dificuldades que está enfrentando certamente tornará mais acessível o processo de independência. Uma grande jornada sempre dependerá primeiro de pequenos passos. Pense nisso!

Quero muito ser pontual!

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A pontualidade é uma virtude! E uma grande virtude, tanto que a maioria das pessoas, no decorrer da vida, se esforça para conquistá-la, alguns com mais sucesso, outros menos. O mais curioso é que para a maioria das pessoas, as regras sociais e as circunstâncias de vida não se diferenciam: acordam a partir do despertador, pegam ônibus, têm horários para iniciar e concluir o dia de trabalho, enfim, seguem várias regras semelhantes. Sendo assim, a questão da pontualidade está fixada à atitude assumida diante do próprio tempo e do tempo dos outros.

Ser pontual é cumprir exatamente o horário que foi determinado; nem mais tarde, nem mais cedo. Para se tornar um sujeito pontual, o primeiro passo é o reconhecimento de que há um problema no quesito cumprimento de horários. Para obter uma maior e melhor percepção do impacto dos seus atrasos, é importante que se coloque no lugar das pessoas que estão a esperar por horas a sua chegada. Imagine o estado emocional destas. O que poderá surgir dessa experiência? “Está atrasado porque se esqueceu de mim ou porque há coisas mais importantes a fazer do que se encontrar comigo”. Podem surgir também os pensamentos “está atrasado porque não é uma pessoa de confiança” ou “está atrasado porque não respeita o meu tempo”, entre outros. Isso faz com que de maneira progressiva, a disposição para estar com a pessoa que constantemente se atrasa ser torne menor. Em compensação, o sujeito pontual acaba ganhando um “bônus” diante do olhar dos demais sujeitos.

Quer receber esses benefícios? Seguem algumas sugestões:

Combine um encontro com o horário definido. A ideia de sugerir um encontro “por volta das 20 h”, por exemplo, dá margem para que cada um interprete essa situação da maneira que achar sensata, o que possivelmente gerará atrasos.

A partir do momento em que a hora foi agendada, é fundamental calcular a hora de saída. Pensar em um horário faz com que eu me despreocupe nas demais horas, sem ter que olhar para o relógio a todo tempo ou ainda evita que eu tenha que sair de última hora.

É interessante também calcular o tempo de percurso. Calcule o tempo em frações menores: tempo para me arrumar, para trancar a casa, para me locomover até o veículo ou meio de transporte e pense ainda na possibilidade de surgir algum tipo de imprevisto durante o percurso, como trânsito intenso, abastecimento, acidentes no caminho. Por mais que pareça uma sugestão muito detalhista, esta se tornará simples a partir do momento em que for praticada. Essa é uma tarefa positiva porque propicia a sensação de controle e de organização interna.

Calcule o tempo adicionando uma margem de tolerância. Ser pontual não quer dizer chegar antes do horário combinado, mas estar adiantado é muito melhor do que estar atrasado.

Lembre-se: o tempo só pode ser controlado quando as situações são executadas por mim. É impossível controlar o fluxo do trânsito ou resolver um acidente que está congestionando o trânsito? Não. Por isso, ficar nervoso só fará com que você gaste energia desnecessariamente. Pense que não vale à pena se estressar por algo que está fora de seu controle.

Desafie-se a não chegar atrasado! Mesmo em situações em que não se faz rigorosa a pontualidade, não se permita atrasar. Se esforce ao máximo para se habituar a cumprir horários em toda  e qualquer situação.

Adiantar os relógios até cinco minutos pode ser uma tarefa interessante para que você “ganhe” alguma reserva de tempo. Esses poucos minutos servem como apoio e podem fazer a diferença.

Associe a atitude pontual com um pensamento positivo. Evite associar a palavra “não” a esse tipo de tarefa. A frase “dessa vez não vou chegar atrasado” não é uma boa alternativa. O seu inconsciente vai reter a informação sem a partícula “não”, o que é uma característica de nossa função cognitiva e a tendência é que nos esforcemos inconscientemente para nos atrasar. Assim sendo, pense sempre que “vai chegar na hora certa”.

Se estiver atrasado, não deixe de avisar. Esse comportamento mostra que há preocupação de sua parte e o negativismo que surgirá por causa do atraso será minimizado.

Seja responsável pelo seu tempo! É muito inadequado culpar outras pessoas ou as circunstâncias pelo seu atraso. A maioria esmagadora dos atrasos se deve a nosso descuido. Por isso, não deixe de pensar sobre o ocorrido e evite repetir os mesmos erros em uma próxima oportunidade.

Chega de pensamentos negativos!

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É uma tendência que pensamentos e sentimentos negativos atraiam a nossa atenção para coisas que não gostamos e que podem fazer com que as nossas características positivas sejam desvalorizadas. Com isso, a nossa capacidade de resolver problemas acaba ficando comprometida. Com o intuito de reverter essa situação, seguem algumas dicas para que tenhamos uma visão mas equilibrada da vida:

  • Recorde-se de bons e agradáveis momentos que viveu no passado e crie planos e estratégias para que possa repetir essas experiências
  • Evite discussões sobre sentimentos e pensamentos desagradáveis. Pode ter certeza de um ponto: essas discussões serão inúteis. O mais sensato é encarar os problemas reais;
  • Converse com amigos e familiares para que estes criem o hábito de falarem sobre coisas positivas;
  • Liste pelo menos três de suas maiores qualidades e as valorize mais;
  • Nos momentos em que surgirem os pensamentos negativos, se apodere dessa lista e lembre-se de seus grandes valores;
  • Considere explicações alternativas para os acontecimentos ou pensamentos desagradáveis;
  • Tome nota dos bons acontecimentos do dia, mesmo que discretos e converse sobre eles com alguém querido. Aproveite o assunto e permita que esse sujeito também fale dos momentos agradáveis que ele vivenciou;
  • Mantenha sua mente e seu corpo ocupados, planejando e realizando atividades construtivas e que lhe deem prazer.

Sorria sempre! Mesmo em situações difíceis, há um lado positivo!

Meu filho é deficiente! E agora?

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A descoberta de uma gravidez é frequentemente uma notícia muito positiva para a família, que idealiza uma criança perfeita, saudável e que se desenvolverá plenamente. Contudo, quando isso não ocorre e é uma criança com algum tipo de deficiência a nascer, essa pode ser uma situação bem dura e até mesmo traumática para a família em um primeiro momento. Apesar disso, vale ressaltar que é justamente a maneira com que a família lida com essa situação que influenciará de maneira decisiva a construção da identidade do grupo familiar, bem como a identidade pessoal de cada um dos membros. A partir do nascimento de uma criança especial, há uma desconstrução dos modelos de pensamentos e a recriação de uma novo apanhado de conceitos que se adapte à realidade. A função vital da família é criar e desenvolver a individualidade, em um sistema que priorize a autorrealização de cada um de seus membros. Com o nascimento de um filho com deficiência física ou mental, a estrutura familiar, antes razoavelmente estável, com papéis definidos e regras estabelecidas, exige de seus membros uma redefinição desses papéis, com novos valores e padrões de comportamento, para que se ajustem da melhor maneira possível ao novo estilo de vida. Essa pode ser uma tarefa demasiadamente confusa no início. Por isso, é interessante a busca por atendimento psicológico, para que novas regras e papéis sejam estruturados de maneira calculada e equilibrada. Todavia, o mais comum é que essas famílias desenvolvam essas habilidades a partir de tentativas e erros. A cada mudança, impacto ou crise, a família se reestrutura.

O nascimento de uma criança especial traz mudanças igualmente especiais. Na reação à essa criança podem surgir vários tipos de comportamentos e atitudes:

  • Negar a realidade da deficiência;
  • Encarar a situação de um modo realista;
  • Lamentações e compaixões dos pais, devido à sua sorte;
  • Ambivalência em relação à criança, ou melhor, um misto de rejeição e projeção da dificuldade como causa da deficiência;
  • Sentimentos de culpa e depressão e padrões de dependência mútua.

Normalmente são vivenciadas as fases de negação, adaptação e aceitação.

Na primeira fase, a negação, os pais têm uma grande dificuldade de acreditarem no diagnóstico, mesmo porque não houve qualquer preparação prévia para conviver com algo desse porte. A família sempre espera um bebê saudável, perfeito. Por isso, sentimentos de culpa, rejeição e até mesmo desespero modificam as relações sociais da família e também sua estrutura. Os sentimentos de vergonha e culpa pela criança fazem com que os pais se sintam culpados e envergonhados por se sentirem dessa maneira. No entanto, afirmo que esses sentimentos são comuns perante situações de frustrações e conflitos. Desse modo, muitos dos sentimentos destes pais são vivenciados por outros pais em diversos momentos da vida. Há também o receio da reação da família ampla e da sociedade em geral, conectadas à dificuldade em conviver com a diferença, o que pode fazer com que a família se isole. Algumas famílias chegam a buscar uma grande variedade de diagnósticos que possam negar a deficiência. Esta fase pode prolongar-se por dias, meses e até anos, conforme o padrão de cada família.

Após essa fase, os pais começam a se darem conta que o filho apresenta necessidades que precisam ser atendidas de imediato. Assim, se inicia a fase de adaptação, quando a família já elaborou a perda (luto) da criança saudável previamente concebida e começou a se adaptar ao diagnóstico, procurando adequação e uma maior compreensão do mesmo. Nesse momento, a família começa a reconhecer o deficiente como um ser humano autêntico, integral e pleno de significado e importância.

Por fim, a fase de aceitação, na qual acontece um maior e mais realista contato com a criança e com a deficiência da mesma. Os pais atuam de maneira ativa, participativa, procurando apoio, sugestões e esclarecimentos. Alguns destes chegam a  reconhecer que a tristeza e a frustração são sentimentos que devem ser encarados com naturalidade. Não é raro que apresentem uma postura superprotetora, mas que com o tempo pode diminuir. Quando a criança especial deixa de ser encarada a partir de sua deficiência e passa a ser compreendida como uma pessoa integral é criado um novo olhar, uma nova atitude e uma nova postura para com ela e com a vida.

Os pais podem ter acesso à deficiência do filho de variadas maneiras. Pode ser até mesmo antes do nascimento, quando são feitos exames no pré-natal. No entanto, uma gama considerável de deficiências é diagnóstica somente após o parto. Independente do momento em que souberam da deficiência do filho e de quão maduros e fortes podem ser, essa é sempre uma situação que traz muita dor, sofrimento, medo e incerteza. Além da família, os profissionais da saúde têm dificuldades em lidar emocionalmente com o diagnóstico e a sua transmissão aos familiares. Esses profissionais podem agir no sentido de omitir aos pais a informação e transmitir a colegas de trabalho, para que estes se encarreguem de fornecer o diagnóstico; transmitirem a notícia de maneira destrutiva, como se os pais não devessem esperar nada da criança; minimizarem os problemas, afirmando um futuro utópico ou ainda transmitir a notícia de maneira impessoal e distante, sem explicações do problema e sem empatia.

O fundamental é que o profissional tenha conhecimento técnico de sua área e que possa manter uma atitude de empatia e tranquilidade para com a família. Esta necessita de informações e encaminhamentos para respostas às necessidades da situação.