O que faço hoje vou colher amanhã

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A cada dia, se torna mais comum o assunto estresse. Por um ponto, esse excesso de informação sobre o tema é bem positivo, já que faz com que pessoas que antes não tinham acesso a esse tipo de informação se apoderem desse conteúdo, mas por outro ponto, faz com que muitos sujeitos deixem de dar a importância necessária ao que o estresse implica. Devemos reconhecer que o estresse não é somente nos comportarmos de uma maneira mais agitada ou nos sentirmos mais cansados, ansiosos, nervosos, etc. É bem comum que o estresse não desencadeie somente esses sintomas. A situação pode ser bem mais delicada e em casos extremos levar o indivíduo a óbito. Como? Quando as pessoas não dão credibilidade aos primeiros sintomas e permitem que eles se instalem. Isso é complicado, pois aos poucos acabamos por nos habituarmos com os sintomas e consequentemente não nos damos conta da presença destes. Desse modo, acabamos por caminhar para um estresse crônico. Esse tipo de estresse pode fazer com que os sujeitos tomem atitudes autodestrutivas, como beber e fumar descontroladamente, além do uso de drogas ilícitas. Esse tipo de comportamento é o primeiro passo para uma depressão, além de outras perturbações psicológicas e físicas que são desfavoráveis a uma vida longa.

Quanto mais nos desenvolvemos e amadurecemos, maiores são as proporções para os nossos maus hábitos. Quando somos jovens, a nossa vitalidade “mascara” os efeitos do consumo de álcool, cigarro e drogas. Com a continuação desse tipo de consumo e com o natural envelhecimentos do organismo, os efeitos dos erros cometidos acabam por virem à tona.

A dependência dos tipos de substâncias acima mencionadas é alvo de diversas interpretações. Você já deve ter se deparado com a situação de reconhecer que algumas pessoas consomem essas substâncias sem apresentarem dependências e outras não. Por que isso acontece? Existem várias perspectivas acerca dessa situação, mas uma que considero interessante afirma que alguns sujeitos iniciam esse tipo de comportamento não por causa de sua fraqueza de personalidade ou por ignorância, mas sim por motivos funcionais. Isso quer dizer que para essas pessoas, situações adversas na vida ou mesmo pressões externas fazem com que estes indivíduos adotem estratégias que os auxiliam a lidar com esses problemas. A questão é que essa não é uma escolha bem sucedida, na medida que ao invés de trazer benefícios, acaba prejudicando mais o sujeito e o comprometendo de maneira lenta e progressiva. Quando eu mascaro os sintomas de estresse agindo dessa forma, eu estou provocando efeitos agressivos em meu organismo.

Sendo assim, é fundamental que caso se reconheça em uma situação de grande tensão, estresse, ansiedade ou outro tipo de problema, que você aprenda técnicas mais funcionais e que não o prejudique no futuro. Independente do problema, se sente que não está conseguindo lidar com a situação de maneira positiva, chegou o momento de procurar ajuda. Participar de um processo terapêutico não é sinal de fraqueza! Pense nisso!

Ataques de ciúme

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Desde os tempos primórdios, o ciúme sempre foi um grande causador da destruição de namoros, noivados e até mesmo casamentos. Muitas vezes, essas relações tinham tudo para dar certo, visto que o casal vivenciava momentos de parceira e satisfação em conjunto.

O ciúme é uma ação impulsiva que pode destruir tudo o que está ao redor. É justamente por isso que é difícil separar a ideia de ciúme da ideia de impulsividade. Não é raro que a crise de ciúme tenha origem em um impulso descontrolado e avassalador.

Certamente, o ciúme apresenta vários graus, que podem ser nomeados como intensidade de perturbação. Desse modo, temos desde o ciúme considerado normal e controlável até o ciúme patológico, que é altamente perturbado e disfuncional. Podemos afirmar que o ciúme pode ser algo saudável e positivo para o casal se este estiver em um nível baixo e aceitável pelos parceiros, já que quando há ciúme nesse nível, o casal compreende que essa é uma emoção normal de quem gosta e quer cuidar do outro.

Existem, basicamente, dois tipos de ciúme:

Ciúme imaginado: É o ciúme causado por uma visualização mental, ou seja, não há necessariamente nada acontecendo. Em nossa imaginação, construímos imagens que permitem que reconheçamos com clareza que a pessoa da qual gostamos está atuando de uma maneira que gera desconfiança, insegurança e ciúme.

Ciúme percepcionado: É quando visualizamos literalmente uma pessoa da qual gostamos atuando de uma maneira que interpretamos como traição, como por exemplo o nosso parceiro estar a conversar com alguém e a partir daí deduzirmos que os sinais verbais e não verbais expostos entre estes comprovam a atração e o interesse de um pelo outro. Então, nesse caso, o ciúme tem origem em uma interpretação de um determinado elemento reconhecido como ameaçador.

Quais emoções surgem no ataque de ciúmes?

A emoção mais evidente é sem dúvida alguma uma intensa raiva. Esta pode surgir de maneira incalculada, desencadeando a violência verbal e até mesmo física. A voz fica tensa, há um enrijecimento muscular, surgem gritos e insultos. Muitos chegam a ficar sem capacidade de responderem à situação de uma maneira racional.

É natural que essa emoção venha à tona nesse momento, mesmo porque a função primária da raiva é a proteção. A respiração curta, a boca seca e o enrijecimento muscular permitem que o oxigênio seja bombeado mais rapidamente para o sangue, ou seja, ficamos preparados corporalmente para nos defenderemos.

Há uma outra emoção que também fica muito evidente em uma crise de ciúme: o medo. Medo de quê? De perdermos a pessoa amada. E é esse medo que faz com que nos sintamos com raiva. Sendo assim, por ser uma resposta de defesa frente ao medo, o ciúme pode apresentar um caráter de impulsividade aparentemente descontrolado.

Uma crise isolada de ciúme não é problemática. Em contrapartida, se essa situação se mantém contínua no decorrer do tempo, mesmo que a situação não tenha nada de ameaçadora, é bem possível que essa pessoa esteja traumatizada. Então, se o indivíduo sofre de ciúme patológico, possivelmente ela está traumatizado.

Essa situação é bem delicada, pois quando nos encontramos em um ciúme patológico, causamos um grande sofrimento em nosso parceiro e nas pessoas que convivem conosco e são testemunhas oculares dessa situação, mas principalmente em nós mesmos. A melhor alternativa para controle desse tipo de quadro é a terapia. Esta permitirá um processo amplo de conscientização e reconhecimento dos motivos que desencadeiam essa atuação, bem como o controle do ciúme.

Comer compulsivamente

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É muito improvável que algum de vocês, queridos leitores, afirme que nunca comeu exageradamente. Será realmente que você nunca se excedeu  e abusou daquele delicioso bolo, chocolate, pudim, pizza ou outra delícia? Raramente alguém consegue se manter em equilíbrio alimentar durante toda a vida.

Quando paramos para pensar nesse tipo de situação, é bem comum que nos recordemos de agradáveis almoços em família, tão bem preparados pela avó, almoços estes com um incrível poder de reunir familiares com os quais não nos encontrávamos há um tempo considerável, ou nos recordemos ainda de um delicioso happy hour com amigos, com saborosos petiscos, ou mesmo lembremos de uma festa onde comemos abundantemente.

Em um das situações acima mencionadas, ou em todas, não é raro que abusemos de algum ou outro alimento, comendo de maneira muito exagerada, a ponto de nos sentirmos desconfortáveis e indispostos. A maioria das pessoas conseguem se recordar de uma ou outra situação em que isso aconteceu, mas alguns indivíduos, ao invés de vivenciarem esse tipo de situação como uma exceção à rotina, fazem com que esses episódios aconteçam diariamente, como algo corriqueiro do cotidiano.

Quando esse tipo de experiência se torna diária, é possível que esse sujeito esteja enfrentando um transtorno denominado “Ingestão Compulsiva”, no qual é frequente estarem presentes:

  • Isolamento na tentativa de esconder a ingestão exagerada;
  • Pensamentos constantes e intrusos acerca da comida e do comer;
  • Cansaço físico e mal estar;
  • Perda do controle e o comer excessivamente como algo inevitável;
  • Sentimentos de vergonha por estar sendo observado nos momentos de ingestão;
  • Baixa autoestima;
  • Ganho de peso;
  • Isolamento social;
  • Sentimentos negativos e culpa acerca de si mesmo;
  • Redução da crença de uma mudança comportamental.

Visando a compreensão desse transtorno, é possível afirmar que a Ingestão Compulsiva caracteriza-se por um comer descontrolado e excessivo, sendo que esta quantidade é considerada exagerada pela maioria das pessoas. A ingestão normalmente termina quando um intenso mal estar e/ou exaustão física são atingidos. É bem comum que a ingestão seja feita de maneira acelerada, em um curto período de tempo, onde alimentos mais fáceis de serem deglutidos são devorados praticamente sem nenhuma mastigação. Essa ingestão é feita quase que exclusivamente quando o sujeito está sozinho, preferencialmente em locais isolados, pois desse modo evita-se a possibilidade de se confrontar com outras pessoas. Nos primeiros momentos, essa ingestão tende a ser agradável, sendo possível saborear os alimentos, mas rapidamente se transforma em um momento de grande angústia e aversão, que se intensifica com o aumento do consumo alimentar.

Esses episódios costumam ser desencadeados em momentos de alteração de humor, tensão e estresse, ou ainda quando há problemas no cotidiano do sujeito. A comida se torna uma espécie de fuga, que atua como apaziguadora e estabilizadora das emoções. A comida, para esses indivíduos, é teoricamente capaz de proporcionar conforto e quietação, ainda que por alguns instantes. Essa situação acaba propiciando o estabelecimento de relações de dependência emocional com o alimento que são extremamente difíceis de serem quebradas.

Nesse transtorno, diferente da bulimia, não há compensação no sentido de evitar o ganho de peso, como por exemplo a indução do vômito ou ainda o uso de laxantes e diuréticos. Frequentemente, somente a dieta é utilizada pelo sujeito, dietas estas que podem se tornar bem rígidas, numa tentativa de contrariar o descontrole alimentar. Contudo, como são muito exigentes, são essas dietas que mais permitem recaídas.

Há uma tendência de que a Ingestão Compulsiva surja no início da vida adulta, sendo predominante no sexo feminino. O tratamento é normalmente lento e complexo, requerendo a intervenção de uma equipe multidisciplinar, já que são necessários trabalhos nos aspectos psicológico, médico e social.

Se identificou com esse transtorno? Não deixe de procurar ajuda especializada!