Depressão e ansiedade

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A depressão e a ansiedade sempre foram estudadas como problemas completamente separados e sem nenhum tipo de relação, o que não é uma verdade absoluta. Certamente, esses são problemas diferente, mas ainda assim é bem comum que eles estejam intimamente relacionados. A ansiedade pode existir sozinha, bem como pode estar associada a um quadro depressivo. Há ainda a possibilidade de a ansiedade desencadear um quadro de depressão. Por sua vez, a depressão pode conter pontos de ansiedade.

A modo de exemplo, quando um sujeito está ansioso, naturalmente os sintomas da ansiedade estarão em um primeiro plano. Mesmo que esse sujeito não suspeite que também pode estar depressivo, a depressão pode desencadear sintomas que terão que ser observados e considerados. Do mesmo modo, se um indivíduo apresenta sintomatologia depressiva, é bem possível que a ansiedade esteja associada. Independente de a pessoa estar ansiosa ou depressiva, estes quadros sempre irão diminuir a qualidade de vida desse sujeito.

Por isso, a palavra crucial nesse momento é ESCOLHA. Nós podemos escolher estarmos ou não depressivos ou ansiosos, o que para muitas pessoas é algo que nunca foi pensado e tampouco considerado. A psicoterapia evidencia e nos ensina a escolher o que desejávamos para nossa vida. Independente da menor ou maior duração dos hábitos de insegurança, uma vez que aprendemos a trocar um pensamento confuso e inseguro por um pensamento responsável e maduro, estes pensamentos deixam de prejudicar a nossas vidas.

Sendo assim, o primeiro passo é ter uma atitude mental otimista, positiva, além de ter motivação e crença na mudança. É fundamental ainda conhecer como se organizam em nós os processos ansiosos e depressivos, para que possamos controlá-los e transformá-los em processos favoráveis a nós mesmos. Quando estamos motivados, conseguimos sustentar os nossos esforços e caminhar para a mudança.

Romance nas relações duradouras: isso é possível?

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A pergunta título dessa publicação normalmente apresenta uma resposta negativa. Contudo, por mais que não pareça possível, o amor romântico pode durar e fazer com que a relação se torne mais feliz. Não é uma obrigatoriedade ou mesmo uma exigência que o romance seja rompido em uma relação duradoura e que este “evolua” para uma amizade companheira. Isso foi comprovado em um estudo publicado na Of Review General Psychology, desenvolvido por Bianca Acevedo, da Universidade da Califórnia.

É muito comum que as pessoas confundam o amor romântico com o amor possessivo. Esse é um grande engano. O amor romântico evidencia a mesma intensidade, química sexual e envolvimento que o amor apaixonado, mas não agrega o componente obsessivo. O amor apaixonado ou obsessivo traz à tona sentimentos de ansiedade e incerteza. Normalmente, este tipo de amor dirige as relações breves e dificilmente os longos relacionamentos.

O estudo acima mencionado constatou que os sujeitos que reproduziram um amor romântico estavam bem mais satisfeitos e felizes tanto nas relações breves quanto nas duradouras. Já o amor companheiro estava somente moderadamente associado com a satisfação nos relacionamentos breves e longos. Por fim, as pessoas que reportaram uma presença mais intensa do amor apaixonado em suas relações, estavam muito mais satisfeitos nas relações breves do que nas duradouras. Sobre os casais, os que reproduziram maior satisfação em seus relacionamentos concomitantemente afirmaram estarem mais felizes e com a autoestima elevada.

Quando observamos que o parceiro está disponível para nós, nos sentimos mais dispostos para nos esforçamos em favor da relação, o que facilita a estabilização do amor romântico. Em contrapartida, sentimentos de insegurança e medo estão diretamente relacionados com uma menor satisfação, o que consequentemente desencadeia conflitos na relação, podendo levar ao alargamento do amor obsessivo.

Esse estudo é interessante porque nos faz refletir sobre a possibilidade de mudarmos nossas expectativas e pensamentos acerca do que desejamos de um relacionamento. O amor companheiro, que é visto por grande parte dos casais como algo natural  no processo de um relacionamento que se torna duradouro, certamente não é a única opção de vivência da afetividade no relacionamento. Mesmo que o casal já esteja junto por muito tempo e reconheça que está vivenciando o amor companheiro, este pode se movimentar no sentido de resgatar o romance, reconhecendo que é possível atingir esse patamar, desde que sejam feitos investimentos e que exista empenho de ambos sujeitos que compõem o casal. Como retorno, cada um de vocês terá uma grande satisfação, além de uma intensa realização.