A majestosa gratidão

download

A gratidão nada mais é do que um reconhecimento pelo benefício recebido. É um fato que em inúmeros momentos de nossas vidas recebemos benefícios. Uma pessoa bem resolvida e feliz sente a necessidade de retribuir o tanto que recebe da família, dos amigos e da sociedade.

Os seres humanos são seres sociais. Sendo assim, para cada uma de nossas ações, existem diversas atitudes, de variadas pessoas, que nos favorecem. Não é digno, então, agradecer por tudo o que recebemos?

A gratidão faz parte da grandeza do ser humano. Construir coisas novas é importante, mas preservar o que foi construído por alguém é tão importante quanto. Infelizmente, esse valor, tão nobre, tem sido invertido. Simplesmente não nos sentimos na obrigação de cuidar de tudo o que está ao nosso redor, pronto. Pensamos que nossa obrigação é cuidar de tudo o que nos pertence ou que foi construído por nós, sem levarmos em consideração que fazemos parte de uma grande rede que pode se tornar muito mais positiva se cuidarmos do que é coletivo e sermos gratos por poder usufruir disso. O prazer de preservar o já criado aumenta a nossa performance pessoal, fazendo com que consigamos contribuir com a sociedade com os nossos pontos fortes.

É bem provável que você, assim como a maioria da sociedade, admire e aprecie os vitoriosos. A questão é que não avaliamos os métodos utilizados por eles para vencerem. De maneira semelhante, criticamos as pessoas que estão cometendo algum deslize, sem ao menos pensar que essa pessoa pode ter solicitado ajuda e não foi amparada por ninguém. Além disso, é preciso levar em consideração que em muitos momentos, atuamos de maneira preconceituosa, nos baseando apenas na aparência ou no que a pessoa apresenta. Lembre-se que quando formamos uma opinião positiva de uma pessoa, tudo nos é facilitado, do mesmo modo que quando formamos uma opinião negativa de alguém, ficamos tão desconfiados que nos tornamos muito mais exigentes e críticos do que deveríamos. Isso faz com que deixemos de atuar de maneira grata, nos sentindo superiores e melhores do que as demais pessoas, autossuficientes. Durante toda a nossa existência, precisaremos do outro. Por isso, ser grato é uma maneira de valorizar e reconhecer a importância das pessoas que estão em nossa jornada conosco, estejam elas atuando direta ou indiretamente em nossas vidas.

A tão temida morte…

images

A morte é uma experiência que fará parte da vida de qualquer pessoa. É uma regra sem exceção. Mesmo sendo algo inato da condição humana, a cada dia tem se tornado mais comum a ideia da morte desencadear sintomas psicológicos delicados, como por exemplo a ansiedade face à morte. Esta sintomatologia pode repercutir no bem estar global do sujeito, comprometendo as atividades rotineiras do mesmo.

O medo da morte é algo que faz parte da experiência humana desde os tempos primórdios. Sendo assim, há muito tempo a ciência se interessa por esse tema, inclusive a ciência psicológica, na medida em que a condição da morte influencia todas as dimensões humanas. É justamente por isso que fenômenos como o aborto, o suicídio, a eutanásia, o luto, a solidão, assim como determinadas doenças, HIV, câncer, depressão, entre outras, encontram frequentemente alguma correlação com a morte e o morrer, visto que essas situações se desenvolveram socialmente como fenômenos críticos, que podem levar à extinção da vida.

A ansiedade é um estado emocional que é desencadeado a partir de um medo que é real ou imaginário. O que faz com que a ideia da morte se torne uma fonte de ansiedade para muitas pessoas, é que estas reconhecem a inevitabilidade da mesma e receiam o que poderá vir após o fim da vida.

Muitas vezes, a capacidade cognitiva do ser humano de se aperceber que passará pela experiência de morte mais cedo ou mais tarde, faz com que as pessoas evoquem imagens negativas e perturbadoras acerca da morte, o que traz à tona sentimentos de medo e ansiedade, ultrapassando em algumas situações a barreira do razoável para quem os sente. A ansiedade frente à morte é uma reação emocional resultante da percepção de sinais de ameaça e perigo, sejam reais ou imaginárias, à própria existência. Estas podem ser desencadeadas a partir de estímulos ambientes (doença grave ou ver um cadáver em um velório, por exemplo), assim como pensamentos ou imagens relacionadas com a própria ou a morte alheia.

Os principais fatores que desencadeiam a ansiedade diante da ideia de morte são a incerteza de não saber o que acontece após a morte, a finalidade da própria morte, medo de deixar de existir, medo da dor envolvida no morrer, medo da não finalização dos projetos de vida e o medo da solidão. Em alguns casos, o medo da morte se torna algo tão grandioso e complexo, que a pessoa se torna incapaz de seguir com sua vida em uma normalidade, ou seja, se comporta da mesma maneira de um indivíduo que sofre de níveis elevados de ansiedade geral e que está incapacitado de caminhar com a própria vida.

Quando essa situação acontece, é fundamental a procura por atendimento psicológico especializado, já que esse processo proporcionará a melhor compreensão dos fenômenos internos que estão desencadeando essa ansiedade e orientará o paciente a criar estratégias para lidar com os eventuais estímulos externos que desencadeiam a ansiedade frente à morte.

Violência contra professores…

violencia 3333333

O Brasil infelizmente atingiu o primeiro lugar em um ranking extremamente negativo: violência contra os professores. Isso deixa evidente que os alunos, sejam eles crianças ou adolescentes, estudam em um sistema repleto de falhas e de ineficiência.

O problema da violência contra o professor é um ciclo complexo, que se inicia, ao meu ver, em dois pontos: O primeiro deles é o fato de o sistema de educação brasileiro ser arcaico, não acompanhando o nível de desenvolvimento tecnológico e apresentando poucos recursos atraentes para o professor, que não tem nem mesmo um salário motivador.  Além disso, é bem comum que os profissionais da área da educação sejam pouco preparados pelo sistema para desempenharem a sua atividade acadêmica com excelência, exercendo a profissão de professor sem praticamente nenhuma experiência  e com uma enorme dificuldade para encontrarem recursos para envolverem os alunos. Esses profissionais se sentem pouco motivados, desanimados com o sistema e com a falta de recursos atraentes para os alunos, acabam não desejando se desenvolverem da maneira que deveriam. Naturalmente, toda essa falta de preparação faz com que os alunos se sintam desmotivados e pouco interessados pelo o que é ensinado, tornando-se alunos agitados e até mesmo indisciplinados. Isso faz com que o professor, muitas vezes, tenha que se comportar de uma maneira enérgica, autoritária e controladora, o que em algumas situações gera revolta nos alunos. A partir daí, a sala de aula se torna um campo de guerra, gerando violência de ambos os lados.

O segundo ponto, não menos importante, é que muitas famílias estão formando sujeitos que não estão minimamente preparados para se comportarem como alunos e tampouco respeitarem a figura do professor, que é a autoridade da sala de aula. Há alguns anos, até mesmo os pais respeitavam os professores, aceitando e concordando quando estes repreendiam os alunos por causa de uma conduta inadequada. Hoje, o professor, além de se sentir ameaçado pelo aluno, também se sente ameaçado pelos pais, que se incomodam com as tentativas de correção que os professores desempenham. A família não tem desempenhado o papel de fazer com que desde pequenas, as crianças compreendam  a importância da escola e o respeito pelos que ensinam.

Muitos pais desejam que os filhos tenham educação de qualidade, mas ao mesmo tempo, estão agindo com pacificidade diante da violência contra os professores. Há um evidente colapso no sistema educacional. Os pais podem auxiliar na reversão dessa situação, participando mais ativamente das discussões acerca das melhorias necessárias nas escolas. Os pais são os maiores exemplos que os filhos têm. Com isso, é fundamental que eles observem mais as próprias condutas e verifiquem como eles falam sobre os professores em casa. O professor é uma figura de autoridade na escola tão importante quanto os pais em uma família.

Não quero dizer com isso que os alunos não têm o direito de se expressarem ou mesmo a obrigatoriedade de aceitarem todas as determinações dos professores. Não obstante, deve haver colaboração e harmonia entre professores e alunos, e nao rixas e choque de ideias de uma maneira conflitante.

Quanto ao cyberbullying praticado contra os professores, infelizmente a cada dia tem se tornado mais comum, especialmente entre os jovens, o fato de a sociedade estar se apoderando de ferramentas que teoricamente poderiam promover bem estar e entretenimento para disseminarem difamações e intrigas. A atualidade tem transmitido uma falsa impressão de que agir violentamente contra os professores, mesmo que de uma maneira virtual, é algo divertido e que fará com que um grande grupo se sinta pleno. No entanto, é a educação desses alunos é que tem ficado comprometida diante dessas condutas de violência, sejam elas diretas ou indiretas. Os alunos não têm avaliado as implicações morais e éticas da violência contra os professores e estão se sentindo os donos da verdade, que têm o direito e agirem da maneira que bem entenderem. As redes sociais precisam ser utilizadas com bom senso. O que eu publico é passível de inúmeras interpretações e violência sempre gerará violência. Se o aluno atua com violência, em algum momento, ele sofrerá a consequência desse ato, recebendo uma educação de pouca qualidade e se formando como um sujeito incompleto.