Meu coração vive acelerado! Tenho medo!

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Fale a verdade: quantas vezes, somente hoje, você já se atentou ao seu coração? Nenhuma? Pois é. Por mais que essa pergunta soe estranho para muitas pessoas, ela pode ser extremamente comum para outras. Quando lhe faço essa pergunta, não estou me referindo especificamente a sua condição cardíaca. Desejo saber, na verdade, se você está preocupado com as recentes manifestações de ansiedade que tomaram conta de seu coração. Muitos sujeitos já não confiam tanto em seu coração, justamente porque apresentam o quadro de síndrome do pânico.

Se essa situação fosse narrada em tempo real, seria mais ou menos dessa maneira: “Alto! Atenção ao meu coração! O que está acontecendo comigo? O meu coração assumiu um ritmo estranho, descompassado, assustado… Meu Deus! PARE! Desejo que ele se acalme, mas parece que ele assumiu uma vida independente de mim. Os pensamentos estão vindo com uma grande intensidade em minha cabeça e minha mente está girando, desconfiando, se preocupando, catastrofizando… Meu corpo está tentando fugir dessa situação, mas como fazer? Quero tentar disfarçar, mas como? Agora parece que já nem sei respirar. Inspiro ou expiro? O ar não chega! Me falta o ar, este ar que não entra e este ar que sai, mas porque é que o peito teima em apertar… Ai, ai… Que ritmo, que medo, o que é que estou vivenciando? Mais medo, mais pensamentos! Quero sair daqui, fugir, gritar e pedir socorro para eu mesmo! Já não sinto os braços, as pernas, a respiração não chega, o coração vai arrebentar, a boca parece palha… que loucura, mas isto não para? Vou morrer? Agora? Mas não tenho aqui ninguém? Morrer agora, ou estarei a enlouquecer? Socorro, quero fugir do meu corpo… Tenho pânico e o meu coração não vai aguentar!

Somente quem já experienciou um ataque de pânico se identifica com esse relato. É difícil, aparentente imcompreensível e totalmente aleatório. Quando o nosso corpo se comporta dessa maneira, não podemos simplesmente ignorar esse sintoma. Por muito que ainda não perceba porque é que o corpo grita dessa maneira, a verdade é que seria bom dar-lhe alguma atenção, pois estamos a falar de uma condição clínica que tende a piorar com o tempo, caso não seja feita nenhuma intervenção.

A cada dia tem se tornando mais comuns estudos que enfatizam a importância de controlar os níveis de ansiedade e estresse, pois as expressões dessas sensações são liberadas pelo corpo. “Quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga”.

A notícia positiva é que podemos paparicar os nossos corações com uma intervenção psicoterapêutica eficaz que reduza os níveis de estresse e ansiedade, para que não atravessemos situações como a que foi descrita acima. Uma intervenção integrada entre um cardiologista (que se assegura da boa forma do seu coração) e um psicólogo (que se assegura da boa forma da sua ansiedade) consiste na abordagem ideal a uma resolução equilibrada do seu problema. Vamos cuidar de nossa saúde?

Espelho, espelho meu: existe alguém mais gordo que eu?

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Estamos na era da vaidade. Milhares de pessoas, diariamente, não medem esforços para se sentirem mais bonitas e atraentes. Para tal, grande parte desses sujeitos tem lançado mão das cirurgias estéticas e/ou de emagrecimento. Uma questão que levantamos diante disso é a seguinte: será que os resultados dessas cirurgias são tão significativos para a qualidade de vida das pessoas que as fazem como evidenciam os meios de comunicação? A resposta mais adequada para essa questão é “depende”. Depende dos objetivos que fizeram com que o sujeito passasse por um procedimento cirúrgico, das expectativas idealizadas por este, do meio familiar e social, enfim, de um conjunto de fatores.

É indiscutível que toda a estrutura física e psíquica de uma pessoa que vivencia uma cirurgia é afetada por esse tipo de operação. Por isso, é fundamental uma preparação corporal e mental para um prognóstico positivo.

A cirurgia bariátrica, por exemplo, é um procedimento que visa a redução acentuada do peso, através da implementação de uma banda gástrica. Cada vez mais, esse tipo de cirurgia tem se tornado popular e comum, já que seus principais objetivos são a melhoria da qualidade de vida do indivíduo, além da melhora da saúde e das relações sociais que essa pessoa estabelece. Normalmente, os resultados são bastante satisfatórios. Até mesmo problemas crônicos de saúde, como doenças cardíacas, colesterol alto, diabetes e a apneia do sono são suavizados após a realização da cirurgia. Também a mobilidade acrescida leva ao aumento da atividade física e consequente melhoria da saúde geral.

Um outro ganho extremamente positivo para a pessoa que passa pela experiência da cirurgia bariátrica é no quesito relações interpessoais. Há estudos que revelam que após essa cirurgia, muitos sujeitos afirmam que as reações negativas por parte da família e dos amigos por causa do peso excessivo sofrem uma grande diminuição. Consequentemente, são constatadas melhorias nas relações e na vida social do indivíduo, bem como a diminuição de queixas de depressões.

Tal como mencionado no início desse texto, são cruciais as motivações e as expectativas diante da cirurgia estética. Corroborando com estudos, as motivações mais comuns são a diminuição dos problemas de saúde, elevação da autoestima e melhoria da aparência, possibilidade da realização de atividades físicas e o fim do estigma da obesidade. Desse modo, fica claro que não somente motivações estéticas fazem com que alguns indivíduos se submetem a intervenções cirúrgicas. Pelo contrário. As pessoas têm buscado cada vez mais qualidade de vida e socialização favorável.

O incremento da autoestima, associado ao resultado deste tipo de cirurgia, leva a que alguns dos receios sociais sejam postos de lado ou relativizados, levando-os a esquecer os anteriores comportamentos sociais disfuncionais ligados ao estigma de serem obesos.

A partir da cirurgia, além dos benefícios evidentes nas áreas da saúde e dos relacionamentos, há uma grande elevação da qualidade da vida cotidiana em todos os aspectos. Em suma, podemos dizer que é um fato que a cirurgia bariátrica é uma grande indutora de felicidade, na medida que os resultados após a intervenção cirúrgica fazem com que a vivência antes da cirurgia, marcada por limitações físicas e estigmas, seja drasticamente suavizada.

Auto-hipnose

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É bem possível que em um momento de sua vida onde estava vivenciando um problema ou uma situação que de alguma maneira ocupava sua mente, você tenha sonhado com algo relacionado a isso. Esse sonho pode ser apenas simbólico, mas também pode revelar soluções ou ainda propor reflexões sobre o envolvimento emocional com o assunto. Essa é a comprovação de que o nosso inconsciente é sensível às nossas necessidades. Apesar disso, não podemos escolher com o que iremos sonhar ao dormir. A auto-hipnose funciona de maneira parecida. Da mesma maneira que não escolhemos os nossos sonhos quando dormimos, não podemos entrar em auto-hipnose e realizar este ou aquele objetivo.

A primeira informação para que se estabeleça um processo de auto-hipnose bem sucedido é compreender que todo o processo de hipnose é em si uma suto-hipnose. O hipnoterapeuta nada mais é que um facilitador que tem acesso às técnicas de indução para permitir que o próprio sujeito desencadeie o processo nele mesmo.

A prática da auto-hipnose é bastante positiva, na medida em que proporciona relaxamento corporal e psíquico e ocorre lentificação com aumento da eficiência dos processos fisiológicos. Alguns minutos diários de auto-hipnose descansam o sujeito do mesmo modo que esse relaxa quando dorme por horas. Hipertensão arterial, dores musculares, cefaleias e taquicardias podem ser bem controladas com esse recurso. Todo e qualquer tipo de processo doloroso será suavizado com a auto-hipnose.

A prática constante de auto-hipnose fornece excelentes benefícios, que podem ser comparados aos ganhos que se tem com a meditação, como o maior nível geral de energia e atenção, promoção de saúde, serenidade, capacidade de linguagem e desenvolvimento das funções cognitivas, o que foi psicologicamente comprovado. Gradativamente, esse recurso pode levar o sujeito que lança mão da auto-hipnose a tudo isso. Aos poucos, os princípios e a prática constante moldam o corpo e a mente em desenvolvimento desacelerado, mas muito seguro. O ganho é real, desde que haja muita perseverança e disciplina.

Você deve estar pensando: Será que a auto-hipnose é complicada? De maneira alguma. Pelo contrário: a prática é extremamente agradável e simples. Após aprender, o que exige treino, qualquer minuto de pausa pode ser aproveitado para relaxar o corpo, a mente e interiorizar a atenção. Não importa se você tem minutos ou horas. Saliento que a maneira ideal de aprender esse recurso é através da orientação de um hipnoterapeuta, mas existe uma variedade de técnicas que podem ser utilizadas para alterar a própria consciência. Mesmo aprendendo por conta própria, você poderá obter resultados muito positivos. Seja curioso! Se informe!

Morro de medo de ir ao dentista!!!

Medo de dentista

Mesmo com todos os avanços no ramo da Odontologia que priorizam a diminuição da dor e da ansiedade do paciente, como anestesias e tratamentos menos invasivos, ainda hoje é bem comum me deparar com pessoas que têm uma enorme resistência a enfrentarem o dentista. Naturalmente, esses sujeitos só comparecem a um consultório odontológico diante de uma situação de extrema dor ou de um outro grande desconforto nos dentes ou na boca.

Sendo assim, é possível estabelecer uma interface entre a Psicologia e a Odontologia, visando o bem estar e a saúde bucal das pessoas. No Brasil, ainda não é comum essa articulação, já que tanto os profissionais da Odontologia quanto a população de um modo geral, desconhecem essa possibilidade. Um estudo de McGoldrick et al (2001) demonstra que existe desconhecimento de como a Psicologia pode ajudar pessoas que têm medo de ir ao dentista.

Nesse estudo, foi revelado que de 115 pessoas que apresentavam quadros de medo e ansiedade especificamente por causa de tratamentos dentários, 113 receberam recomendação do dentista de ususfuírem de substâncias farmacológicas. Às outras 02 pessoas, foi sugerido o acompanhamento psicológico, que evidenciou em ambos os casos resultados positivos. Verificou-se que numa segunda fase do tratamento dentário e após o conhecimento do sucesso na terapia destas duas pessoas, 29% dos 113 pacientes optaram por intervenção psicológica.

O mesmo estudo revelou também que uma camada considerável de dentistas simplesmente desconhecem o fato de que poucas sessões terapêuticas podem eliminar a fobia e a ansiedade dos pacientes, e que dessa maneira esses sujeitos conseguem evitar os efeitos secundários dos medicamentos, sedação e anestesia geral. Os dentistas frequentemente recorrem a medicamentos porque desconhecem que a Psicologia possui várias terapias funcionais para essa situação.

É importante dizer que o tratamento psicológico, nesse sentido, baseia-se na dessensibilização sistemática, relaxamento e técnicas de distração, hipnose, imagem mental dos estímulos fóbicos e reestruturação cognitiva. A Terapia Cognitivo-comportamental é a mais estudada e usada neste tipo de fobias através da exposição in vivo  (exposição presencial e prolongada aos estímulos fóbicos).

Diante disso, é imprescindível que os dentistas e demais profissionais da área da saúde bucal estejam atentos ao medo e à ansiedade dos pacientes frente aos tratamentos odontológicos e o quanto isso é danoso para o próprio tratamento e para a saúde oral do indivíduo. O ideial é que os dentistas encaminhem esses casos para um profissional especializado no tratamento dessa fobia.

Há um outro problema nessa condição: muitas pessoas não reconhecem que apresentam um problema que interfere em sua vida, especialmente em sua saúde. Mesmo na atualidade, recorrer às intervenções psicológicas pode ser um tabu para uma parte da sociedade. Essa camada acredita que procurar um psicólogo é coisa para “malucos” ou para pessoas mentalmente fracas. Não obstante, indiscutivelmente é a decisão mais sensata e eficaz quando se enfrenta alguma dificuldade. O medo e a resistência de ir ao dentista faz com que as pessoas se descuidem de sua saúde oral, o que certamente gerará consequências dolorosas para estas. Este é o seu caso? Então, saiba que é possível contornar esse medo! Procure ajuda especializada!