A infância como determinante da vida adulta

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É fato que o relacionamento com os pais é fundamental para que no futuro, já adultos, os filhos saibam lidar com emoções negativas. Um exemplo que evidencia essa situação é a capacidade dos casais de resolverem os seus conflitos, que pode estar ligada ao tipo de relacionamento que cada um dos cônjuges teve com os pais durante a infância. Essa afirmativa foi confirmada em um estudo realizado por psicólogos da Universidade de Minnesota, EUA.

Conforme o artigo publicado na revista Psychological Science, quanto melhor e mais profundo o relacionamento com o pai e a mãe durante a infância, maior a capacidade das pessoas em superar discussões na idade adulta. Uma equipe de pesquisadores acompanhou um grupo de crianças de 12 a 18 meses nascidas nos anos 70. Duas décadas depois, avaliaram a maneira como esses sujeitos resolviam os conflitos em seus relacionamentos e verificaram quais os assuntos que para eles eram mais sensíveis.

Ficou claro que os indivíduos que tiveram uma relação favorável com os pais durante a infância se mostraram melhores na resolução de conflitos na fase adulta, na medida em que os pais ajudam a regular as emoções negativas das crianças. Sendo assim, elas se desenvolvem mais capazes de regular as suas próprias emoções após um atrito ou desentendimento.

Contudo, é importante afirmar que mesmo os sujeitos que não tiveram uma infância provida de segurança, podem aprender a resolver conflitos com um parceiro emocionalmente equilibrado. Jessica Salvatore, uma das autoras do estudo, declarou que “se uma pessoa puder guiar o processo de superação de um conflito, torna-se capaz de ajudar o companheiro e melhorar o relacionamento”.

Já a instituição espanhola Instituto Coca Cola da Felicidade e a Universidade Complutense de Madrid realizaram um estudo cujo objetivo era encontrar relações entre o estado de saúde e o nível de felicidade e se as pessoas felizes são mais ou menos propensas a problemas de saúde. Naturalmente, o estudo constatou que a relação entre o bem estar psicológico e a saúde existe.

O professor Carmelo Vázquez, que dirigiu o estudo, concluiu que diante de um problema de saúde, as pessoas mais felizes sentem-se mais saudáveis que as pessoas infelizes. A família e os amigos também são fatores que favorecem o bem estar.

O estudo foi feito através de três mil entrevistas a cidadãos espanhóis entre 18 e 65 anos. Ficou evidente que as pessoas mais felizes sentem-se mais saudáveis do que as infelizes.

Conforme a pesquisa, a sensação de saúde está relacionada com a felicidade, que está relacionada com os afetos. O ponto que se destaca é a influência da família e dos amigos no processo, pois os que se sentem acompanhados sentem-se mais saudáveis do que os que têm menos apoio. Isto quer dizer que mesmo as pessoas mais doentes podem se sentir mais saudáveis do que outras, desde que se sintam mais felizes. “O apoio social formenta a felicidade”, afirma Gonzalo Hervás, médico e co-autor do estudo.

Isso comprova que os problemas físicos acabam sendo menos importantes que os psicológico quando se avalia a satisfação com a vida. A depressão, os problemas de concentração, a ansiedade e o estresse são os maiores problemas que aparecem com a insatisfação.

Em suma, conclui-se que as boas relações sociais nos tornam mais otimistas, o otimismo faz com que nos sintamos mais felizes e a felicidade nos faz mais saudáveis.

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Dependência emocional: um vício

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Tudo o que é em excesso faz mal, e isso é um fato. Essa afirmação é tão correta, que até mesmo nas nossas relações interpessoais ela se aplica. Quando nos tornamos dependentes emocionalmente, o nosso nível de desestruturação se assemelha às dependências mais conhecidas, como o álcool, drogas, jogos, comida, entre outros. Devido a isso, ela deve ser encarada com atenção.

Quando nos tornamos dependentes a nível emocional, sentimentos um grande medo da liberdade e por isso passamos a nos comportar de forma submissa, sem nenhuma confiança, com dificuldades na tomada de decisões, além de um enorme medo da separação, do abandono e especialmente da solidão. É importante ressaltar que a dependência emocional não acontece somente nas relações afetivas. Em todas as nossas experiências sociais, seja no âmbito profissional, econômico, sexual, podemos desencadear essa dependência.

Esta pode surgir ainda na infância, quando a criança não tem as suas necessidades emocionais atendidas. Esse pequeno ser pode se desenvolver com uma intensa sensação de vazio, com a certeza da falta, o que faz com que ele busque a completude em algo. Pode fazê-lo na comida, no álcool, nas drogas, nos relacionamentos. Quando nos sentimos incompletos na infância, desenvolvemos uma tendência a nos tornarmos um adulto com baixa autoestima e com uma necessidade exagerada da aprovação de todas as pessoas ao nosso redor.

Especificando a dependência emocional, nesta o sujeito é bastante prestável, o que cria uma falsa sensação de controle nos relacionamentos. Assim como em qualquer outra dependência, a recuperação não é algo simples, já que há uma visão de que é mais fácil continuar buscando a felicidade em fatores externos do que desenvolver recursos internos para preencher a lacuna que nos falta.

Se você reconhece que se encaixa nesse perfil, o primeiro passo é procurar ajuda. Partilhar com outras pessoas e com um psicólogo as dificuldades que está enfrentando certamente tornará mais acessível o processo de independência. Uma grande jornada sempre dependerá primeiro de pequenos passos. Pense nisso!

Mentirinhas infantis…

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Entre os 03 e os 04 anos, a criança começa a distinguir de maneira consistente uma verdade de uma mentira. Antes dessa faixa etária, a criança lança mão da mentira apenas como mais um dos produtos da criatividade que está em plena formação.

É bem comum que os pais não saibam se comportar diante de uma mentira. O que fazer? Quando a mentira parte de uma criança com idade abaixo da faixa etária acima mencionada, o melhor a se fazer é relaxar e desfrutar das histórias que ela produz. Não é necessário dar grande ênfase a essas pequenas mentiras, que na verdade nada mais são que fantasias extremamente detalhadas, histórias completamente inofensivas e que são naturais nessa fase do desenvolvimento infantil. É habitual que os pais contem contos de fada para as crianças. Por isso, é importante que os pais se permitam ouvir as histórias que as crianças têm para contar. O ideal é não punir a criança de 02 anos ou menos quando esta “embeleza” a verdade. Não obstante, é fundamental promover a honestidade, de uma forma que seja adequada à idade da criança.

Encorajar a criança a dizer a verdade é sempre um caminho construtivo. Para tal, é preciso que os pais evitem se zangarem diante de uma mentira e exponham satisfação quando a verdade é dita. Se os pais se descontrolam, brigam ou gritam, a criança se dá conta de que a mentira compensa, pois dessa maneira ela conseguiu fazer com que os pais perdessem o controle e lhe dessem atenção.

Nunca se deve acusar uma criança que supostamente mentiu. Estimular para que esta diga a verdade é, sem dúvidas, o melhor caminho. Fazer comentários que incentivem a confissão e não a negação é uma excelente alternativa.

É fundamental também que as regras familiares sejam adequadas à idade e a capacidade da criança, pois caso isso não aconteça, esta poderá se sentir sobrecarregada com exigências de difícil cumprimento, o que fará com que ela se sinta tentada a mentir como forma de evitar desapontar os pais.

Por fim, é imprescindível que seja estabelecida uma relação de confiança entre os pais e a criança. Ser um modelo de honestidade é o maior exemplo. Não minta para as crianças. Procure cumprir o prometido e quando isso não for possível, se desculpe por ter descumprido a promessa.

Mesmo que a criança relate algo difícil, mas verdadeiro, elogie-a por ter optado a contar a verdade.

Será que eu tenho dedo podre para o amor?

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Fale a verdade. Eu tenho convicção que, por mais de uma vez, você disse que iria fazer diferente da próxima vez, mas acabou se comportando exatamente da mesma maneira que lhe prejudicou há algum tempo. Estou certa?

Atitudes como estas são comuns a todas as pessoas. Não obstante, há sujeitos que prometem que irão atuar de uma forma diferente, mas acabam vivenciando paixões intensas, e posteriormente acabam por chorar as mágoas de uma relação que deixa para trás recordações e destruição.

O envolvimento em relações amorosas possivelmente complicadas não é uma característica exclusiva dos homens ou das mulheres. Toda e qualquer pessoa, independente da idade, pode ingressar em um relacionamento como este. Como quase tudo na vida, a pessoa que experimenta relacionamentos potencialmente desastrosos, acaba por se acostumar, com o tempo, a tolerar choques intensos em sua autoestima, e consequentemente se torna mais forte e tolerante às desilusões. Desse modo, essa pessoa acaba por assumir o papel de vítima, passando grande parte de sua vida lamentando “ter dedo podre”, ser azarada ou ainda afirmando-se incapaz de modificar o próprio destino.

Essa incapacidade, entretanto, não é o destino conspirando contra nós. Pelo contrário. Ela se atribui ao fato de em nenhum momento ocorrer uma pausa que propicie a avaliação do que aconteceu para trás antes de apostar num novo relacionamento, ou seja, não foram pensados os papéis, o nosso ou o do outro. Em casos como estes, é extremamente comum que adentremos em um processo de autocomiseração, papel este que faz com que as pessoas ao nosso redor sintam uma necessidade de nos confortarem. Essa atitude externa alimenta nossa autoestima. E quando recuperamos mesmo que minimamente a autoestima, nos sentimos preparados para o campo de batalha das relações.

Os sujeitos que desconfiam de suas autoimagens, nunca se sentem merecedores de darem e receberem amor. Então, eles acabam atraindo parceiros que apenas vêm confirmar essas profecias. Todavia, quando conseguem alguém que realmente os acaricia e estima, afirmam para si mesmos que não estão habituados e como tal não sabem lidar com essas atenções! Pronto! Está instituída a condição para que a sua relação não vingue.

Esses amores têm seu início de maneira intensa e bastante sexual, com uma grande quantidade de paixão e afeto, mas um envolvimento pouco sólido. Por isso, rapidamente iniciam-se traições, falta de consideração e o abandono. Ainda mais rápido, o amor idealizado se torna desilusão e sofrimento.

A autoimagem é uma parte significativa da personalidade, e é moldada ainda na infância. Um relacionamento com um adulto significativo a nós, como por exemplo, pai, mãe, avó, professor, entre outros, mas que não é capaz de nos valorizar, respeitar e amar o que somos, faz com que acreditemos que não somos sujeitos de valor suficiente para sermos merecedores do amor de qualquer pessoa. Caso durante o nosso desenvolvimento esse padrão não sofra nenhuma modificação, muito provavelmente viremos a ser adultos possuidores de uma baixa autoestima e autoimagem. Assim, quando estamos à procura de um parceiro, possivelmente encontraremos alguém com quem repetiremos a situação que vivenciamos na infância. Para superar este ruim padrão de relacionamento, precisamos compreender e reconhecer quem somos, para que possamos, posteriormente, recuperar e reconstruir nossa autoestima.

O autoconhecimento, a cada dia, se torna uma ferramenta essencial. Os indivíduos que ingressam em relacionamentos constantemente complicados, normalmente apresentam dificuldades em verbalizarem ou até mesmo saberem o que os fazem felizes e quais são seus objetivos de vida. Geralmente, o desejo de agradarem leva-os a centrarem-se de tal maneira nas necessidades e anseios do outro, que é como se a sua própria existência apenas se justificasse em função dele. Isso faz com que o outro viva uma relação onde ele sempre recebe muito mais carinho e atenção do que ele esperava da relação. Porém, pouco tempo depois, se iniciam as cobranças, o que gera conflitos. E o sujeito que acreditava estar vivenciando um amor intenso, verdadeiro e mágico, acredita que o parceiro não o dá nada em troca.

Diante de tudo isso, o melhor é, sem dúvidas, compreendermos a nós mesmos. Esse é o primeiro passo para a mudança.

Mas é ciúme, ciúme de você…

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É um fato da vida que todos nós, em algum momento, sentiremos ciúme, não necessariamente em uma relação amorosa, mas em qualquer tipo de relacionamento.

O ciúme tem origem ainda na infância já que, quando crianças, acreditamos que somos o centro do universo e que a nossa mãe é exclusivamente nossa. Quando reconhecemos conscientemente a existência de nosso pai, verificamos que nossa mãe não pertence só a nós, mas também a ele, e isso gera ciúmes.

Um outro momento que comumente desencadeia o ciúme é o nascimento de um irmão mais novo. O amor, o colo, a atenção e o carinho que são depositados no bebê, que até então eram exclusivamente destinados ao irmão mais velho, é incomodo e desconfortante para este, pois ele sente que seu “reinado”, a partir de agora, terá que ser dividido com alguém.

O ciúme exagerado é indiscutivelmente um sentimento negativo. Não obstante, assim como outras emoções, não é possível simplesmente eliminar esse sentimento. Por isso, aprendemos a introjetar o ciúme e virá-lo contra nós mesmos ou o viramos contra o objeto de nossos sentimentos.

Na primeira situação, o ciúme pode ser transformado em auto repulsa, fazendo com que acreditemos não sermos merecedores de amor ou mesmo cremos que somos incapazes de obter o que desejamos na vida. A consequência disso é a desistência de novas tentativas, ou seja, nos colocamos em uma posição de vítimas das circunstâncias. Por outro lado, se colocamos para fora o ciúme, este acaba se tornando objeto de raiva. Interiorizamos os sentimentos ruins e projetamo-los sobre a pessoa que julgamos ter roubado o nosso amor. A raiva ciumenta é destrutiva de amizades e de parcerias, além de ser uma potente ferramenta destruidora do amor. Em casos extremos, o ciúme extremo pode até matar uma pessoa ou fazer com que ela mate alguém.

O ciúme é um mecanismo inconsciente que tem como característica principal controlar e manter o outro exclusivamente para si. Tudo o que não se encontra dentro da relação simbiótica passa a representar uma ameaça para o parceiro, que não suporta a ideia de ser abandonado.

Além disso, o ciúme é a expressão da emoção e por isso é normal que o sintamos. A grande sacada é não permitir que nos deixemos dominar pelo ciúme. Pelo contrário, devemos controlar os comportamentos e atitudes associados a ele, evitando que este cause danos irreversíveis para o sujeito e para a relação. Esse sentimento está ligado a uma série de fatores, como questões culturais e sociais, além da história de vida de cada indivíduo.

A necessidade de posse é um padrão típico do comportamento do ciumento. Quem ama e acredita no parceiro, dá espaço para que este tenha momentos de privacidade e de individualidade, não se sentindo ameaçado na presença de terceiros. A desconfiança, associada ao ciúme, pode tornar uma relação completamente devastadora. O medo de perder o companheiro para outro é extremamente ruim e desconfortante. A baixa autoestima e a dificuldade de se aceitar tal como é faz com que a pessoa se sinta diminuída e em um medo constante de ser trocada por outra pessoa que seja melhor que ela.

O ciúme doentio tem como marca registrada o egoísmo. Por oposição ao amor altruísta, estas pessoas são capazes de expressar sentimentos como “prefiro ver a minha mulher morta do que vê-la a viver com outro!”. Este desequilíbrio, que ocorre no sistema nervoso, gera aumento do nível de adrenalina ao corpo, interfere na dinâmica dos neurotransmissores e faz parecer que tudo desaba dentro do nosso corpo, rompendo-se o equilíbrio do bem-estar.

Então, eis a questão: vale a pena sentir tanto ciúme? Procure ajuda profissional! Busque um atendimento psicológico!

Nós reproduzimos na vida adulta a nossa infância?

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É inquestionável que a infância condiciona e prefigura o nosso perfil de adultos. Mas é uma grande verdade, também, o fato de podermos melhorarmos as nossas habilidades, desde que nos esforcemos e acreditemos que isso é possível. A questão que tem se tornado um verdadeiro problema para muitas pessoas, é que estas se deixam condicionar pelo passado, e o pior: acreditam que o que vivenciaram na infância sempre fará com que elas atuem da mesma maneira. Isso é uma inverdade!

Quando uma criança não recebe afeto suficiente para que ela se sinta amada, esta poderá se sentir injustiçada e considerar-se inferior comparativamente com os outros. Isso faz com que ela tenha dificuldades para associar esforço com recompensa, além de não ter um limite claro do que lhe é permitido fazer. Desse modo, são configuradas as condições imprescindíveis para que o sujeito permaneça na infância, não se sentindo preparado para a vida adulta.

Que tal você fazer uma pequena análise sobre o seu processo de desenvolvimento, que é o caminho básico para a maturidade? Vamos lá. Afim de facilitar esta experiência, seguem alguns traços básicos do comportamento infantil que devem suavizar-se ou desaparecer na vida adulta:

  • Comportamento egocêntrico;
  • Dificuldade de assumir responsabilidades;
  • Procura de aprovação;
  • Procura constante de afeto e proteção;
  • Facilidade em estabelecer e interromper relações;
  • Procura de modelos de identificação.

Compartilhe aqui a sua reflexão: você é um adulto que renuncia a amadurecer para satisfazer as suas necessidades pueris, (necessidade de se sentir amado e admirado a todo tempo, dificuldade em manter relações estáveis porque isso significaria agir a um nível de responsabilidade que não desenvolver); OU reconhece que isso não se consegue de forma gratuita porque, no mundo dos adultos, as coisas não se ganham sem esforço e o amor não é incondicional?

Essa identificação pode ser muito interessante e fará com que você compreenda que, quando há desejo, há mudanças. Quer mudar? Confie em suas habilidades, olhe para si mesmo e reconheça que você cresceu e está vivenciando uma etapa única de sua vida, que pode ser maravilhosa e de novos conhecimentos.

O homem é uma criança: o seu poder é o poder de crescer

(Rabindranath Tagore)