A crise dentro e fora de mim

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Estamos diante de um cenário econômico muito tenso e complicado, repleto de incertezas. Indiscutivelmente, essa situação afeta todas as áreas de nossa vida. O desespero e a angústia tomam conta daqueles que não podem viver mais o sofrimento de sobreviver com pouco ou quase nada, seja por estar desempregado, ou por ter dívidas, ou por grandes despesas ou ainda por estar com dificuldades para alimentar a sua família. Além dessas necessidades básicas, surgem também necessidades emocionais, como a sensação de estabilidade, segurança e conforto. Somente dessa maneira, as pessoas se sentirão cuidadas, protegidas e estáveis.

Desse modo, instaura-se uma diminuição da estabilidade emocional e afetiva das pessoas, o que desencadeia alterações em seus comportamentos. É gerada uma sensação de impotência e desmotivação na população em geral e sentimos que não existem alternativas. Muitos sujeitos ficam nervosos, irritados e tristes. A consequência disso são sintomas como apatia, ansiedade, tristeza. A partir daí, perturbações psicológicas e patologias vão se desenvolvendo.

A crise está afetivamente presente na vida das pessoas e em vários níveis. Esta vem repleta de mudanças e transformações, exigindo adaptações. Quando as crises acontecem de maneira repentina, o choque o e caos são instalados, bem como a desesperança, a falta de rumo, a confusão e o medo em vários contextos: familiar, profissional, social, econômico.

Em cada crise, um tipo de sensação é gerada. Normalmente, a incerteza e o descontrole sobre o futuro são evidentes, o que é muito assustador e por isso gerador de ansiedade.

No entanto, não paramos para pensar que a crise também é geradora de oportunidades. Sim, oportunidades, desde que busquemos e agarremos os recursos que possuímos, os quais poderão ser alavancas para novas criações. Certamente, isso só é possível se o sujeito tiver esperança e confiança em um futuro melhor, bem como em sua capacidade.

Nesse momento, fazer terapia faz toda a diferença! Os psicólogos são “especialistas das crises” e o atendimento psicológico permite que ligações emocionais, cognitivas e comportamentais perdidas, bloqueadas ou confusas sejam reconectadas, o que alivia a dor dessas emoções em cada sujeito.

As nossas realidades social, econômica, familiar e pessoal não podem ser alteradas ou apagadas, mas a maneira pela qual lidamos com essas realidades, bem como a forma como estão sendo sentidas e vivenciadas podem ser aliviadas e melhoradas através do atendimento psicológico, que é um processo que visa orientar o sujeito e fazê-lo reconhecer possibilidades antes obscuras.

Já pensou em fazer terapia?

Câncer de mama e gostar de si

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A partir de diversos estudos realizados sobre o câncer de mama, bem como o significativo aumento do número de novos casos a cada ano, sendo mulher, decidi tecer considerações sobre o tema.

O câncer de mama é uma das patologias que mais abala as estruturas física e emocional da mulher. De maneira concomitante, desencadeia sentimentos, emoções e comportamentos que as deixam fragilizadas antes e após a confirmação do diagnóstico, já que essa é uma doença socialmente relacionada à morte e à perda da feminilidade. Inicialmente, a mulher vivencia um intenso quadro de ansiedade, medo e até mesmo desespero, normalmente necessitando de um espaço/tempo para refletir sobre o fato de estar doente. A incerteza com relação ao futuro traz angústia, dor, medo e sofrimento.

A mama é considerada um forte símbolo da sexualidade, o que faz com que pensemos que qualquer patolgia que ameace essa parte de nosso corpo, fará com que perdamos a autoestima, nos direcionando a sentimentos de inferioridade e rejeição.

Vários autores e autoras descreveram sobre o tema. De um modo geral, os significados atribuídos aos seios estão intimamente ligados a fatores culturais e sociais. Yalon (1997), por exemplo, afirma que “independente da ótica sócio-cultural, a importância atribuída aos seios, ao longo dos tempos, tem sido predominantemente masculina”. Isso quer dizer que a sociedade, especialmente os homens, reconhecem os seios como sinal erótico vital em uma manifestação amorosa. Representam ainda a beleza feminina. Sendo assim, é inquestionável as qualidades estéticas e eróticas que os seios assumem, além de uma relevância ímpar na sociedade moderna. Definir o conceito de imagem corporal é uma tarefa bem complexa. Conforme Hopwood et al (2001), “não existe, hoje em dia, qualquer consenso face à definição de perturbação da mesma”. Já Cash e Pruzinsky (1990) declaram que “a imagem corporal é um conceito extremamente ambíguo”. Quando falamos de imagem corporal, a algo que precisamos levar em consideração: a relação que se estabelece ente a sociedade de consumo e o corpo, ou seja, a construção social da beleza.

Conforme a literatura, o conceito de imagem corporal envolve preocupações, sentimentos e pensamentos que cada pessoa possui acerca de seu corpo e da sua experiência corporal. Esta não se restrige somente a questões de ordem estética e/ou de aparência física. Ela é diretamente influenciada também pela idade, funções e aptidões corporais, etnicidade, sensações corporais, força, sexualidade, personalidade, estado saúde/doença, além das experiências vividas e a realidade sócio cultural. Assim, a imagem corporal pode ser encarada como uma construção decorrente de diferentes dimensões da experiência corporal.

Complementando, a imagem corporal pode ser descrita como uma imagem mental do corpo e pode envolver diversas dimensões, como a forma como a pessoa pensa sobre seu corpo, a percepção do próprio corpo, a forma como o indivíduo apresenta seu corpo e a satisfação com relação à aparência.

Hopwood (1993) refere que nos trabalhos em que o método de entrevista era utilizado para detectar os sinais emocionais deixados pelo câncer de mama, verificou-se a abordagem de aspectos como a insatisfação com relação à cicatriz, o impacto do tumor, o grau em que a mulher oculta a cicatriz com relação ao parceiro, o grau em que esta se recusa a se despir na frente do mesmo, a atitude e consciência com relação à aparência, o sentimento de deformidade, a vergonha, a atratividade sexual e a mudança da importância do seio para a mulher. Os principais pontos levantados por essas mulheres formam a insatisfação com a aparência (vestida), a perda da feminilidade, a dificuldade em ver-se nua, o sentimento de menor atratividade sexual, a consciência em relação à aparência e a insatisfação com a cicatriz e com a prótese.

Isso deixa claro que a procura do aperfeiçoamento da própria imagem, bem como a conservação de sua integridade são importantes elementos motivacionais. “A imagem corporal é um importante elemento dentro do complicado funcionamento de formação da identidade pessoal” (Pitanguy).

Por isso, valorize-se e goste de si sempre. Com cicatrizes, sem cicatrizes, com o sem seio, você é linda por dentro e por fora. Valorize isso! Não está conseguindo! Procure ajuda psicológica!

Muitas roupas… e nada para vestir!

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A cada dia, nos deparamos com uma quantidade maior de ofertas de estilos. Novas tendências surgem a todo tempo e por isso é bem difícil resistir a tanta beleza, especialmente para quem é amante da moda.

O fato de não conseguirmos resistir a uma nova roupa pode desencadear um consumo exagerado que de maneira progressiva, provocará um caos no guarda roupa. Então, chegará o momento em que mesmo tendo diversos looks, acreditamos que não há nada para vestir.

O que vestir para ir à faculdade? Para trabalhar? E para uma festa? O que vestir?

Eis que chegamos ao ponto de termos muitas roupas, mas não sabermos o que fazer com elas. A partir daí, surge a necessidade de realizar uma seleção do que é prático, do que é versátil, do que é sofisticado… do que nos faz sentir bem!

O mais interessante é que podermos fazer uma associação dessa situação com as emoções! Tal como as peças de roupa que se amontoam no “guarda-roupa dos sonhos”, as nossas emoções também se amontoam em nossa vida, gerando muitas vezes um caos emocional.

O que fazer com as emoções? Quais as funções delas? Também servem para embelezar quem somos?

O ponto comum entre a roupa e a emoção é o fato de ambas nos prepararem para a ação. Do mesmo modo que não existe o belo ou feio e sim o gosto pessoal, não devemos rotular as emoções como boas ou ruins. O que podemos afirmar é que algumas emoções são mais agradáveis e outras mais desagradáveis, mas ambas nos orientam para a sobrevivência. Além disso, tal como acontece com as roupas, as emoções, quando adaptativas, também se configuram diferencialmente, exercendo papéis variados.

Enquanto as emoções desagradáveis nos protegem do perigo, orientando-nos para objetivos e ações específicas, as emoções agradáveis nos motivam a explorar o mundo de maneira proativa, devolvendo a harmonia após as experiências emocionais desagradáveis.

A Psicologia contribuiu para a nossa compreensão do modo como as pessoas se defendem das realidades emocionais dolorosas, mas o que torna as pessoas felizes?

Para algumas pessoas, até mesmo um gesto bem simples como aceitar um elogio é algo demasiadamente difícil. É comum que algumas pessoas encontrem recursos para sabotarem a própria felicidade, já que temem o risco de atingirem o que realmente desejam, com receio de que no final tudo dê errado.

Por isso, é fundamental que permitamos experimentar sentimentos bons. Quando permitimos reconhecer em um desafio ou em um perigo uma oportunidade, a possibilidade de vencermos e aprendermos é alta.

Sendo assim, permita-se sentir emoções em variadas situações, não se conformando em conhecer a sensação de apenas uma ou duas. Vista sempre as emoções que melhor lhe assentarem e seja feliz!

Agressividade em crianças

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A agressividade pode acontecer de várias formas, em variadas situações. Quando quem se comporta de forma agressiva é uma criança, a situação não é diferente. A questão é que quando há uma criança que apresenta comportamento agressivo, é comum que a família fique presa a sentimentos de impotência e angústia, não sabendo como proceder.

As crianças gritam, choram, dão pontapés, mordem, entre outros. Isso faz com que em alguns momentos pensemos na possibilidade de a criança estar aprendendo esses comportamentos através das mídias: televisão, computador, jogos virtuais, ou ainda a partir do envolvimento com outra criança. Independente disso, o importante é que pensemos sobre a maneira pela qual deveremos lidar com essa situação.

Reconhecemos que a criança constrói modelos de interpretação da realidade que determinam as interações sociais futuras. Caso haja uma estrutura de base de suporte afetivo-emocional, é muito provável que a criança se desenvolverá de maneira estruturada. Em compensação, caso haja situações prolongadas de frustração afetiva, isso poderá desencadear uma futura desadaptação.

A melhor maneira de prevenir comportamentos agressivos em crianças é o aumento de fatores protetores e a diminuição de fatores de risco, em um processo que integre a criança com a família.

Normalmente, as crianças agridem porque ao se comportarem dessa maneira, descobrem um jeito de comunicarem por atos aquilo que ninguém consegue traduzir por palavras, em uma espécie de autorrecompensa por algo que lhe fizeram. Mesmo que não seja o ideal, essa é a maneira que as crianças encontram para declararem escancaradamente que existem, havendo variadas formas de levantarem a voz na vida, como por exemplo agindo, falando alto, ou simplesmente se mantendo em silêncio. Essas crianças optam pela agressividade para declararem ao outro que não precisam dele quando, na verdade, é o que mais precisam. Desse modo, sejamos pacientes e tolerantes com as crianças, fornecendo espaço e mecanismos para que elas aprendam maneiras diferentes e mais positivas de se expressarem.