Antidepressivos

rem1

Embora o tratamento com os antidepressivos deva ter duração de pelo menos seis meses após a remissão dos sintomas, vários estudos têm elucidado que uma porcentagem significativa de pacientes (até 38%), tratados com os antidepressivos mais populares do mercado (Fluoxetina, Paroxetina, Citalopram, Sertralina, Escitalopram), compram uma única caixa do medicamento, o que traz a ideia de que o tratamento está sendo abandonado muito antes da duração mínima recomendada.

O que faz com que essa camada de pacientes se comporte dessa maneira? Haverá algum perfil de pacientes ou algumas características associada aos medicamentos?

Uma pesquisa atual revelou que a adesão à medicação não está relacionada com a escolha do fármaco, visto que não foram registradas diferenças significativas entre os pacientes que aderiram à terapêutica e os que não aderiram em função do medicamento prescrito. Também não se verificaram diferenças com relação ao número de pacientes que declararam um ou mais efeitos colaterais entre os que aderiram e os que não aderiram à terapêutica, ainda que os pacientes que descontinuaram o tratamento medicamentoso tenham relatado muito mais efeitos colaterais.

Um número significativo de não aceitantes afirmou que tem aversão ao uso de medicamentos. O medo dos efeitos colaterais e a atual ocorrência dos mesmos foram os pontos mais evidenciados para a não aceitação do tratamento com antidepressivos. Dos pacientes que revelaram a não aceitação, pelo menos 30% sequer iniciaram o tratamento, enquanto 70% descontinuaram o tratamento após duas semanas. Mais da metade desses pacientes abriu mão do tratamento sem consultar um médico.

Além disso, há uma diferença no campo da percepção da doença entre médicos e pacientes. Com maior frequência, os pacientes não aceitantes, ao inverso de seus médicos, afirmaram sintomas como estresse e fadiga, discordando do diagnóstico do médico. Um em cada três pacientes não aceitantes, que receberam um diagnóstico médico de depressão, não se sentia deprimido. Assim, ficou claro que esses pacientes consideravam o seu quadro mais ameno do que o médico estava declarando. Isso deixa claro que a adesão à terapêutica é muito menor quando os pacientes percebem que não precisam de ajuda medicamentosa ou que seus problemas são menores. Pelo menos metade dos pacietes expressa preocupação pelos efeitos de longo prazo dos antidepressivos, mas não os dispensa, caso considerem realmente necessários.

Essa pesquisa evidenciou também que a não aceitação é mais comum em pacientes que apresentam um baixo nível de escolaridade, com mais de 60 anos e ainda daqueles que afirmaram sintomas inespecíficos, como estresse, fadiga e insônia.

Sendo assim, os profissionais da saúde, especialmente os médicos, deveriam realizar um esforço maior para fazer com que pacientes desses grupos acima mencionados se dêem conta das mensagens educativas essenciais dos antidepressivos.

É evidente que pacientes que fazem uso desses medicamentos precisam ultrapassar uma série de barreiras emocionais e sociais. Receber a primeira prescrição para um antidepressivo pode ser desagradável e até mesmo perturbador. Não é raro que em uma primeira consulta, os pacientes apresentem determinadas dificuldades para absorverem a informação cedida pelos médicos. Além disso, é comum que os efeitos colaterais surjam antes da efetividade dos medicamentos. Mais um motivo para que os pacientes sejam bem orientados.

Os atidepressivos podem desencadear efeitos colaterais como palpitações, problemas gastrointestinais, tonturas, insônia, que podem ocorrer poucas horas após a tomada, enquanto são necessárias semanas para que o paciente comece a sentir melhoras e o efeito terapêutico dos medicamentos.

O medo quanto aos efeitos colaterais são oriundos de uma ideia social, mas também da bula. É certo que todas essas informações sejam fornecidas ao paciente, mas de uma maneira prévia, tanto no início quanto durante o tratamento, encorajando a inicação e também a continuação do tratamento. Fica claro que os pacientes que foram bem orientados durante a primeira consulta, foram mais capazes de continuarem o tratamento durante o primeiro mês desse processo.

Em suma, a pesquisa deixa a mensagem de que a prescrição antidepressiva deve ser uma decisão partilhada entre o médico e o paciente, através de uma relação de confiança, capaz de evitar ou diminuir a descontinuidade do tratamento.

Anúncios

O meu filho não dá trabalho!

momento-desmame

“O meu filho não dá trabalho nenhum” é o tipo de afirmativa que precisa ser observada quando se refere a um filho adolescente. A adolescência é um período de transformações tanto no aspecto físico quanto no aspecto emocional do sujeito, mudanças estas que trazem consigo uma série de alterações na maneira como o próprio indivíduo vivencia a realidade. Por isso, a não exteriorização dessas características pode trazer à tona pistas que indicam alguns problemas:

Quando o adolescente é excessivamente apático, indisposto e pouco motivado para realizar qualquer tipo de atividade, podemos pensar na possibilidade deste estar vivenciando uma depressão, transtorno que em muitos casos desencadeia-se na segunda infância. O isolamento social é um dos indicadores de um estado depressivo. Quanto mais cedo a identificação da depressão acontece, mais rapidamente medidas são tomadas, o que fornece um menor tempo de tratamento e resultados mais satisfatórios. Quando não identificado, esse transtorno pode ter um estado recorrente durante grande parte da vida da pessoa, visto que é na adolescência que a estrutura da personalidade é organizada. Uma avaliação psicológica não tem um custo financeiro e emocional tão elevado e pode evitar problemas que podem desencadear conseqüências permanentes ou de tratamento muito difícil.

Além disso, a não exteriorização das características típicas dos adolescentes pode ser um indicador de déficit no desenvolvimento biológico, que pode ser reconhecido por um atraso no nível do desenvolvimento físico, a continuação de uma linguagem infantilizada, uma estrutura de rosto infantil (olhos muito grandes e mais próximos, o não desenvolvimento do queixo, entre outros) e uma dificuldade de se relacionar com adolescentes da mesma faixa etária.

Desse modo, os pais devem se manter atentos e observarem o desenvolvimento dos filhos. Se estiver desconfiado de alguma dificuldade nesse processo, procure ajuda! Quanto antes, mais beneficiado o adolescente será! Já conversou com seu filho hoje?

 

Eu me conheço bem?

tumblr_lrdk657cSy1qm4smso1_500_large

Tenho certeza que você já deve ter pensado que ninguém lhe conhece melhor do que você mesmo. No entanto, é bem possível que já tenha dito que “ele (a) me conhece melhor que eu mesmo (a)”. De fato, ambas as frases fazem sentido.

Uma professora assistente na Universidade de Washington, chamada Simine Vazirre, descobriu que somos mais perspicazes a identificar nossos estados internos, como a ansiedade, por exemplo, enquanto os sujeitos que convivem conosco têm mais habilidades para reconhecer e identificar a nossa capacidade intelectual, como a inteligência e a criatividade. Interessante, certo? Agora, e se eu afirmar que até mesmo indivíduos desconhecidos, com quem nos cruzamos, estão tão habilitados quanto nossos amigos para reconhecerem nossas características de extroversão? Parece loucura? Mas não é!

Na verdade, se pararmos para analisar, essa situação faz sentido. Não me surpreende o fato de conseguirmos reconhecer com facilidade os nossos estados de ansiedade, mesmo porque somos nós que os sentimos. Em compensação, podemos mascará-los e incorporar comportamentos que não deixem transparecer a ansiedade para as pessoas que estão ao nosso redor. Já com a inteligência e a criatividade, por mais que tentemos disfarçá-las, essa não será uma tarefa simples.

O que somos por dentro acaba ficando evidente aos outros porque fornecemos pistas que são facilmente interpretáveis por nosso meio social. A postura que assumimos, a forma como nos vestimos, o modo como decoramos nossa casa e nosso trabalho, entre outros comportamentos, têm algo a dizer a nosso respeito.

Certamente, as tecnologias também são fundamentais nesse aspecto. Redes sociais, por exemplo, evidenciam várias dicas sobre nós. A forma como estão organizadas, o conteúdo que publicamos, o tipo de informação que decidimos ou não passar, as fotos que tornamos públicas, entre outros.

A ideia de que precisamos escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho para deixarmos uma marca no mundo faz total sentido, mas isso não anula o fato de deixarmos a nossa marca em tudo aquilo o que fazemos e em tudo o que tocamos.

Sendo assim, é importante que cuidemos um pouco mais do nosso comportamento, ao invés de ficarmos presos somente em nossos pensamentos e sentimentos que podem nos levar ao erro. É justamente por isso que nos incomodamos profundamente quando alguém critica alguma de nossas atitudes. É que quando isso acontece, somos obrigados a refletir sobre o nosso comportamento e pensar sobre as prováveis incongruências entre a ideia que tínhamos de ser, por exemplo, muito agradáveis, e a realidade de nosso comportamento, que pelo visto, não o revela assim tão bom quanto acreditávamos.

Vamos refletir sobre isso… e sejamos felizes!

Perdoar ou ficar irado?

briga_de_casais

Quando o casal se desentende por causa de algum comportamento menos correto por parte de um dos cônjuges, é comum que se repitam padrões na sua forma de interagir e encarar o problema. De um modo geral, são comuns dois tipos de reação: aceitação ou negativismo, carinho ou raiva, perdão ou rejeição, desculpabilização ou agressividade, passividade ou culpabilização.

A questão é que nem sempre a expressão clara dos sentimentos e emoções, em um momento de conflito, é reconhecida como saudável. A psicologia positiva tem evidenciado que a reação de aceitação, perdoar e esquecer é a racionalização positiva dos problemas. Além disso, atualmente observa-se que os casais começaram a reconhecer o discurso de abertura de expressão de opiniões e sentimentos, ainda que nem sempre essa abertura seja real, visto que quando há uma expressividade honesta por parte de um cônjuge, nem sempre o outro tem a capacidade de aceitá-la.

Em compensação, em alguns momentos, expressar a raiva pode ser necessário para a solução de um problema relacional, contrariando a passividade e o perdão. De acordo com recentes estudos, uma interação conflituosa, menos passiva e mais autêntica na expressão das emoções (como a raiva, por exemplo) poderá, a curto prazo, ser bem desconfortável, mas aparentemente é a mais favorável para a saúde da relação a longo prazo.

A eficiência do perdão depende do nível de aceitação do cônjuge, da severidade e da freqüência da transgressão. Assim sendo, a longo prazo, a psicologia positiva poderá não ser a mais eficaz em todos os cenários, já que a aceitação do cônjuge leva o outro a tornar-se, em algumas situações, menos presente e apoiante, além de mais irresponsável financeiramente e até infiel. Quando expressamos a raiva, deixamos claro que o comportamento ofensivo não é aceito, levando-o a não repetir o mesmo. E quando o comportamento negativo não se repete, é evidente que melhorias acontecem a longo prazo.

Certamente, a expressão da raiva não é a solução de todos os problemas. Pode não ser aceita em todas as relações e em todas as situações, dependente do contexto e do meio, das expectativas, das crenças e das experiências anteriores de ambos os parceiros. É importante lembrar que em algumas situações, a expressão das suas emoções será mal-interpretada, seja pela passividade ou o contrário. A atitude mais acertada estará no meio de ambos os comportamentos, ou seja, no equilíbrio que não é simples de ser atingido, equilíbrio este entre o perdão e a expressão da raiva.