Como lidar com pessoas que estão enfrentando o luto?

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Muitas pessoas que precisam lidar com sujeitos que estão enfrentando o processo de luto, afirmam sentirem dificuldades para se posicionarem diante de tamanho sofrimento. Receitas que combatam a dor e o sofrimento não existem. Dói quando caímos, quando nos queimamos, quando torcemos o pé. Tal como o nosso corpo, que passa por uma espécie de “luto físico” até voltar ao estado anterior de equilíbrio fisiológico, a ferida causada pela perda de um ente querido também necessita de tempo e espaço para ser amenizada. Por isso, é importante que nos atentemos aos sinais de patologização do sofrimento, visto que vivemos em uma época na qual há pouco tempo e espaço para reorganizar todas as memórias e sentimentos relativos à pessoa perdida. Quanto maior for o espaço ocupado pelo outro em nosso ser, maior será a dor da eliminação física desse mesmo outro. Quer ajudar alguém que perdeu um ente querido? Existem maneiras bem simples de ser útil!

É frequente que a pessoa que vivenciou a perda recentemente necessite de ajuda nas decisões mais simples. Sendo assim, esse sujeito pode gostar do auxílio prático no solucionamento de burocracias, preparo de refeições, organização da casa, entre outros.

Deixe claro para essa pessoa que você está disposto a acolhê-la da maneira que ela considerar necessária: partilhas lágrimas, angústias, lembranças, raiva. Evite brincadeiras. O que a pessoa necessita nesse momento é de apoio.

Auxilie o sujeito a perceber as maneiras de coping (de lidar) com a perda, de modo que ela possa compreender aquilo que se passa com ela.

Fases de coping no luto:

1ª Fase: Encarar a perda como algo real

No início, é natural que as pessoas oscilem entre a negação e a aceitação. A aceitação costuma ser mais difícil em situações em que o ente perdido pode votar, como uma separação, por exemplo. Por isso, é comum que esse período seja descrito como “irreal”, já que a pessoa que vivencia a perda se sente desligada de tudo e aniquilada pelo sofrimento.

2ª Fase: Vivenciar a dor do desconsolo / sofrimento

Para grande parte das pessoas, os sentimentos regressam rapidamente após a perda e dessa forma podem sentir dor física intensa, normalmente sentida na região do estômago ou próxima do coração. Além da dor, há uma saudade intensa e procura da pessoa. Visitar locais que lembram o ente, chamar o nome e chorar são sintomas comuns de saudade. Há indivíduos que acreditam estarem ficando loucos, tamanha a falta que sentem do ente. A partir da aceitação da perda, pode vir a raiva – seja pela pessoa que faleceu ou de si mesmo – podendo desencadear humor irritadiço, tensão, ansiedade e culpa.

3ª Fase: Ajustar-se à vida sem essa pessoa

 Antes que a pessoa consiga se adaptar, instaura-se um período alternado com a segunda fase, em que tudo parece supérfluo e vazio. Nada é interessante e há momentos em que esta pessoa deseja morrer. Há a possibilidade de nesse momento, o sujeito criar novas maneira de coping, bem como novos padrões e objetivos de vida. Isso fica claro em comportamentos que mostram que a pessoa estar preparada para seguir em frente, como a retirada de férias, a redecoração da casa, alguma mudanças física ou um novo hobby.

4ª Fase: Aceitar a perda

Quando esse sujeito aceita a perda, se torna disponível para construir novas relações e aceitar novos desafios. Naturalmente, o ente querido e o passado são lembrados e estimados pela pessoa, mas essas lembranças não impedem o indivíduo de apreciar a vida quando essas memórias vêm à tona.

O acompanhamento terapêutico se faz necessário quando uma das fases do luto está comprometida. O objetivo do psicólogo é identificar e facilitar o superar os obstáculos que impedem a efetivação de cada fase do luto. Além disso, há a meta de aumentar a realidade da perda, caso esta seja negada, bem como ajudar o sujeito a lidar com afetos ocultos e expressos, auxiliar a pessoa a superar os diversos impedimentos ao reajustamento pós perda e permitir progressivamente novos investimentos.

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Como é difícil enfrentar o luto!

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A morte de alguém querido é algo extremamente complicada de encarar. Causa uma ferida intensa, dolorosa e difícil de cicatrizar. No início, essa ferida dói de maneira quase que insuportável, a ponto de muitas pessoas acreditarem que não conseguirão sobreviver a esse período.Não obstante, com o tempo essa ferida se fecha. A questão é que o processo para a cicatrização dessa ferida pode ser moroso e doloroso, especialmente quando os pais perdem um filho.

O que torna esse processo um pouco mais suave é compreender melhor a morte, aprendendo a fazer a conexão com o amor desse ente querido, agora falecido, e reaprender a viver sem ele.

Há casos em que se faz necessária a busca por ajuda especializada, no caso, a terapia, já que esta pode trazer muitos benefícios, na medida que faz o sujeito vivenciar um processo de reaprendizagem, descobrindo e reconhecendo a maneira peculiar de vivenciar o luto e encontrando as próprias ferramentas para alívio da dor.

O luto é dividido em fases, que seguem:

  • Entorpecimento

É sempre a primeira reação, muitas vezes acompanhada de descrença e choque, podendo durar de horas a dias, podendo também ser acompanhada por choro e raiva.Distúrbios somáticos, como dores de cabeça, dores no estômago, enjoos, desmaios, entre outros, além da negação da perda podem estar presentes como forma de defesa que o psíquico encontra para se proteger da situação.

  • Busca e saudade

 É o momento em que o sujeito vivencia a dor buscando maneiras de compreender o que está acontecendo.

  • Desorganização e desespero

Talvez esta seja a fase mais difícil, visto que há o reconhecimento da constatação da perda de uma maneira definitiva, havendo enorme risco de apatia e depressão com afastamento do meio social e das atividades rotineiras.

  • Reorganização e aceitação

Somente a partir dessa fase é que o sujeito reconhece que sua vida terá que se readaptar da melhor maneira possível, com sentimentos positivos e menos devastadores, o que permite uma aceitação e o retorno da independência e iniciativa.

Sendo assim, se está passando pelo luto, tenha calma e confiança em si mesmo e em sua capacidade. A dor não é definitiva, somente passageira, por mais dilacerante que seja. Certamente, todos nós conseguimos atingir a última fase do luto e voltar a viver com a nossa energia normal. Tenha fé em si mesmo e caso sinta necessidade, procure auxílio terapêutico.