Regra social: Estar bem!

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Na modernidade a ideia do “estar bem” tem imperado. Estamos em uma fase de likes e smiles, de sorrisos e satisfação constantes. Não interessa a situação: o importante é estarmos bem!

Por isso, considero interessante que pensemos sobre as implicações psicológicas desta mensagem não somente implícita, mas também explícita, de obrigatoriedade de estarmos bem a todo tempo.

É evidente que qualquer pessoa gosta de se sentir bem. A questão é que essa sensação deve ser natural, ou melhor, compatível com os níveis de realização de cada um. Se um sujeito se sente realizado ou acredita que está no caminho certo nos setores afetivo, familiar, profissional, social e existencial, então o natural é que ele se sinta bem.

A vida é extremamente dinâmica e há sempre áreas em que nos deparamos com uma maior ou menor realização. A vida amorosa pode estar esplendorosa, mas o profissional, péssimo, e isso poderá fazer com que uma pessoa não se sinta bem.

Sendo assim, há situações em que o “estar bem” e o “sorriso” não fazem sentido. E de fato não devem fazer. O problema está na dificuldade em vivenciar essas emoções. Fazemos parte de uma sociedade defensora do super positivismo que não deixa espaço para dividirmos nada negativo. A intimidade da expressão de estados de tristeza, raiva ou dor profunda foi abolida. Essa é uma questão séria e por isso precisa e merece a nossa reflexão.

Quantas vezes você só se libertou, de maneira completamente autêntica, no isolamento de seu quarto? Em quantos momentos de dor e ansiedade você se permitiu se manter em segredo?

Não é raro que a censura às emoções como tristeza e raiva aconteçam bem precocemente, quando ainda somos crianças, o que deixa evidente que essas emoções não são legitimadas, além de serem impostos altos níveis de auto-censura pelos pais e educadores. A criança aprende que não deve estar triste ou com raiva e deixa de aprender verdadeiramente a sentir e a gerir estas emoções. A questão é que essa não aprendizagem tem evidenciado cada vez mais custos ao longo da vida.

A criança aprende a não gerir interiormente a tristeza e a raiva e depois é lançada em uma sociedade onde partilhar a tristeza é, até certo ponto, censurado.

Este é um dos grandes desafios da sociedade moderna. Aparentemente, não há espaço e tampouco compreensão para um olhar triste e vazio ou mesmo a ausência de um sorriso. Essas manifestações emocionais desencadeiam desconforto e embaraço e são encaradas de maneira pejorativa.

Se você se sente triste ou irritado, sorrir e fingir que está tudo bem só fará com que sua tensão fique ainda mais acumulada. Pense que a negação do sofrimento, o não dizer que “está mal” e o não ouvir as nossas emoções traz conseqüências. O nosso corpo passa a somatizar, desencadeando dores de cabeça, tensão acumulada nas costas, úlceras, taquicardias, ânsias de vômito, mal estar abdominal entre muitos outros sinais que o nosso corpo usa para sinalizar a gravidade da situação. Não ignore estes sinais e finja que está bem! Em alguns momentos precisamos assumir para nós mesmo que estamos mal. É a consciência de nosso sofrimento que nos possibilita mudar. Seu corpo evidencia esses sinais? Procure ajuda psicológica!

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Mulheres e seus dilemas…

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As mulheres são seres únicos e incrivelmente especiais. Uma única mulher é capaz de desempenhar inúmeros papéis: mãe, filha, esposa, tia, sobrinha, avó, profissional, estudante…, de uma maneira dócil e eficiente. Não obstante, diante de uma modernidade cada vez mais exigente, tem se tornado comum que as mulheres ingressem em um sofrimento por não conseguirem executar todas essas atribuições da maneira que gostariam. Sendo assim, tenho recebido cada vez mais mulheres no consultório com níveis de sofrimento elevados e pedidos de ajuda que surgem a partir de frases como “sou uma mãe ruim”, “não gosto de cozinhar, logo, não sou uma boa esposa”, “ser mãe é o único papel que faz sentido para mim”, “quando eu tiver um filho, terei que abrir mão de minha carreira”, entre outros.

A mulher do atual contexto brasileiro vive em um constante conflito, já que de um lado ela deseja ter uma carreira promissora, estudar e ter sua independência financeira, sua casa, e de outro, o medo que ela sente de arcar com consequências penosas por causa dessas escolhas, optando, mesmo se sentindo infeliz, por uma vida tradicional, se detendo a papéis de esposa e mãe.

A modernidade tem feito com que as mulheres se entusiasmem por atividades mais focadas no desenvolvimento e crescimento pessoal, e isso é muito bom. No entanto, muitas mulheres se sentem culpadas, tristes e até mesmo ansiosas por não gostarem e não se sentirem realizadas, em alguns momentos, com tarefas domésticas como lavar, passar e cozinhar. Às vezes, essas mulheres chegam a declarar que não é normal não gostarem de atividades domésticas, e esse sentimento gera culpa nelas.

Aos poucos, todo esse misto de sentimentos faz com que essas mulheres se isolam da sociedade, acreditando que conseguirão gerir a situação e fantasiam que todas as outras mulheres o conseguem fazer. Este isolamento agrava-se ao funcionar como mecanismo compensatório, pois como se sentem em falta, acham que devem se dedicar mais.

Há alguns anos, as funções das mulheres se resumiam a cuidar do marido, dos filhos e da casa. O que bloqueia a mulher tanto psiquicamente quanto fisicamente é o fato dela se deparar com novas atribuições, gostar dessas novas tarefas, mas ao mesmo tempo se sentirem culpadas por darem importância a outras questões que não sejam estritamente familiares.  A chave mestra para um possível sucesso neste dilema, entre papéis sociais e a procura de ser uma mulher com diferentes desejos dos de outras épocas, é o equilíbrio. Equilibrar casamento, família e carreira. Mas como fazer isso? Aliás, isso é possível?

Claro que é! Primeiro, é importante saber organizar o tempo disponível de cada dia. Crie uma lista de prioridades diárias e alterne tarefas que exigem maior sacrifício com aquelas que podem trazer mais satisfação. É possível ter tempo para o marido, para o trabalho, para os filhos, para os amigos e até para si mesmo. Equilibre-se e organize-se!

Para uma mulher, tudo é possível!

Estou deprimido!

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Observo o quanto é comum, na atualidade, que as pessoas afirmem estarem deprimidas. A expressão “estou deprimido (a)”, tornou-se apenas um sinônimo para denominar sensações como “estou desanimado”, “estou triste”, “estou tendo um dia ruim” e afins.

O mais curioso é que, há alguns anos, era motivo de grande vergonha afirmar que se estava vivenciando um quadro de depressão. Hoje, tornou-se algo extremamente comum.

É verdade que a depressão tem tido um grande crescimento na população na última década. Por isso, alguns autores mencionam a depressão como a “constipação da saúde mental”. Possivelmente, algum de nós tem pelo menos um parente ou amigo que já passou ou está passando pelos efeitos da depressão, tanto que a venda de antidepressivos nunca vivenciou um índice tão elevado como atualmente e as baixas médicas devidas à depressão estão constantemente crescentes. A Organização Mundial de Saúde aponta hoje a depressão como uma das maiores causas de absentismo laboral e aponta para um crescimento ainda maior.

Há uma estimativa que entre 30% e 60% da população mundial sofra, em um determinado momento de sua via, pelo menos um episódio depressivo. Nos adultos, a proporção do quadro depressivo é bem conhecida. A grande questão é que os indicadores apontam que há uma tendência que crianças e adolescentes também sofram de depressão de maneira precoce e mais frequente. E os efeitos da depressão podem ser cada vez mais devastadores para todos esses grupos.

Estudos médicos têm detectado que a depressão faz com que a pessoa doente apresente uma demora muito maior na recuperação, além de depressivos terem uma tendência maior a sofrer de doenças de foro físico e mental, o que certamente debilitará o sistema imunológico do sujeito. Se, para algumas pessoas, os efeitos da depressão são sutis, como uma incapacidade para sentir alegria e prazer, desmotivação, insônia ou perda de apetite pela vida (ou seja, apetite alimentar, apetite sexual e até apetite social!), para outras os efeitos podem ser bem mais graves. A incidência de suicídio em países desenvolvidos aumentou meteoricamente nos últimos 50 anos, e são muitos os exemplos de pessoas que passam vidas inteiras debilitadas com sintomas depressivos.

Constata-se que com a modernização e o crescimento mundial, a depressão tem “surgido” nos sujeitos com mais frequência e intensidade. Socialmente falando, podemos afirmar que a depressão tem ocorrido, então, devido à instabilidade de nossas vidas pessoais, profissionais e sociais, ao estresse que coloca sobre nós a intensidade e exigência das profissões modernas, ao rompimento do sistema familiar tradicional, ao nascimento de uma cultura orientada para o sucesso pessoal e imediato, medido pelo que se ganha financeiramente e ao isolamento do convívio social que as nossas atividades do dia-a-dia acabam gerando.

Psicologicamente falando, fatores que podem desencadear a depressão são a falta de crença que a pessoa tem em si mesma, percepções negativas acerca dela mesma, das outras pessoas e do mundo, e principalmente de seu futuro.

É fundamental ressaltar que o prognóstico da depressão será muito mais positivo quanto mais cedo se intervier sobre ela. Se sente que está deprimido há muito tempo, não se desespere. Pense que a depressão somente será eterna se você permitir que isso aconteça. A depressão é uma condição completamente reversível. É importante crer nisso e acreditar em sua capacidade de recuperação. Procurar ajuda pode ser um diferencial. Acredite sempre em você! Faça escolhas saudáveis e tenha uma vida plena!