A terrível (e temível) culpa!

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A culpa é indiscutivelmente uma das emoções que mais incomodam as pessoas. Sentir culpa é nada mais nada menos que uma tendência à reprovação de nós mesmos, e não simplesmente reconhecermos que somos responsáveis por um desfecho desagradável. Quando assumimos a responsabilidade de algo, nos damos conta e aceitamos que nosso comportamento precisa ser melhorado. Desse modo, passamos a atuar de maneira diferente e mais funcional.

Já a culpa assume o formato de um conjunto de afirmações gerais acerca de nós mesmos – “vai ser tudo horrível”, “sempre vai dar errado”, “é sempre a mesma coisa – que raramente é preciso e direcionado para comportamentos concretos. Como consequência, vivenciamos um mal estar que não permite o nosso crescimento. Não obstante, a maioria das pessoas acreditam que a culpa serve justamente para permitir a melhora e o desenvolvimento de um novo comportamento. Mero engano.

É a experiência que revela algo diferente. “A culpa está para a aprendizagem como o pânico está para uma resposta imediata de fuga: são respostas tão exageradas que perdem por inteiro a sua eficácia”.

O medo, por exemplo, desencadeia uma série de reações em nosso organismo que podem assegurar as condições motoras para evitarmos uma situação de risco. Já o pânico, tende a nos manter paralisados, além de gerar descontrole. De maneira semelhante, se a responsabilização nos leva a uma atitude ativa de mudança, em contrapartida,a  culpa faz com que a ideia de voltar a sentir a sensação desagradável nos paralise e voltemos a reproduzir o comportamento inadequado. Sendo assim, quando voltamos a nos depararmos com a situação desencadeadora de culpa, as respostas que teremos serão exatamente as que já tínhamos e consequentemente voltaremos a nos sentirmos culpados. É, realmente é complexo!

A literatura de Freud afirma que a culpa é uma das principais emoções desencadeadoras de sintomas depressivos. Isso é tão expressivo, que o próprio DSM-IV, um dos principais manuais utilizados na psiquiatria, considera a percepção excessiva da culpabilidade como um dos sinais a ser considerado no diagnóstico da depressão.

Então, reflita: tem se sentido constantemente culpado? As pessoas afirmam que você é muito duro consigo mesmo? Culpar-se é adoecer!

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Como é difícil dizer “não”!

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Esse é seu caso? Tem uma grande dificuldade em dizer “não”? Acata a todos os desejos dos outros mesmo não concordando? Tem dificuldades de recusar convites? Dizer “sim” se tornou uma obrigação? Contudo, se sente mal por sempre dizer “sim”?

É fato que crescemos em um contexto que faz com que tenhamos medo da reação das pessoas quando estas escutam o nosso “não”. Sentimos que essas pessoas serão desagradadas e se sentirão infelizes. É como se o “não” fosse uma agressão ao outro. Por isso, muitas pessoas optam por dizer “sim”, mesmo que contrariadas. Porém, será que isso não gerará conflitos internos nessas pessoas?

Aceitar a todas as situações, mesmo não concordando, pode desencadear uma reação explosiva, e as consequências disso são totalmente imprevisíveis. Essa situação ocorre justamente porque, no momento de se dizer “não”, algumas pessoas fantasiam reações negativas de quem receberá a recusa. Então, sentem medo do desagrado que podem causar e concomitantemente antecipam sentimentos de culpa, abandono, angústia e rejeição. Todos esses pensamentos vão, aos poucos, afastando a possibilidade de se dizer “não”.

Recusar não é um problema. O problema pode ser uma recusa que é feita de maneira agressiva e ríspida. Negar algo de maneira branda, suave, coerente e justificada torna mais simples a compreensão do interlocutor diante de sua posição.

É bem comum que essa situação ocorra no campo profissional das pessoas que têm dificuldade em dizer não. Esta simplesmente não recusa nenhuma tarefa, ou seja, passa a acumular atividades. Porém, com o acúmulo, passará a não cumprir os prazos solicitados e, posteriormente, desiludirá o seu superior. Esse sujeito, na verdade, só aceitou as solicitações do chefe para não ser acusado de mau profissional. Na verdade, não queria. Todavia, o que era tão temido acabou por se tornar a realidade. É ainda mais frequente que a partir daí surja a sensação de injustiça, já que a pessoa acredita que se esforçou muito e que não foi reconhecida por isso. Fica claro, com esse exemplo, que não é nenhuma vantagem aceitar mais do que consigamos executar, ou mesmo aceitar algo que vá contra aos nossos valores e crenças simplesmente para agradar as pessoas.

A grande questão é que, na atualidade, diante de uma crise econômica mundial, há uma grande tendência das empresas em diminuir a quantidade de colaboradores e de cargos. Isso fará com que o trabalho, que continua o mesmo, seja distribuído para uma quantidade menor de funcionários. Em contrapartida, há uma probabilidade maior das pessoas serem despedidas. E isso gera medo.

Mesmo diante dessas explicações, ainda sente dificuldades de dizer “não”? Para minimizar esse problema, tente analisar os pensamentos e emoções que surgem e que o barram para expressar aquilo que quer. Não prolongue essa situação por um tempo maior. Caso não faça isso, você estará transformando uma situação esporádica em uma “bola de neve”. As consequências se tornaram, nesse sentido, cada vez piores.

Fui traída (o), e agora?

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Desde os tempos primórdios, a traição faz parte da vida humana. Daí pensamos: como uma pessoa pode dizer que lhe ama e pouco tempo depois sair com outra? É uma pergunta realmente difícil de responder. O que se sabe é que uma traição causa uma dor intensa e gera um turbilhão de sentimentos como raiva, ira e em alguns casos, sentimentos de vingança. Há quem consiga atuar racionalmente e manter a calma nesses momentos, mas esta certamente é uma exceção à regra.

A traição considerada mais dolorosa é, sem dúvida, a traição no relacionamento amoroso. Muitas vezes, quando descobrimos tal situação, nos perguntamos porque não percebemos isso anteriormente. A verdade é que nosso inconsciente já estava observando que a relação começou a fracassar, mas nós consideramos mais fácil “vendar nossos olhos” e crer que nada de inadequado estava acontecendo. Muitas pessoas que foram traídas se sentem culpadas e acham que esse episódio se deve a um comportamento que elas não deveriam ter tido. Pensar desse modo é ruim e danoso. A pessoa traída não tem culpa. Quem traiu é o verdadeiro culpado. Sempre. A traição é uma quebra de contrato. A partir do momento que uma relação afetiva é aceita pelas duas partes, há um combinado imposto de maneira inconsciente que a traição não deve existir na relação. A traição é uma escolha ou mesmo um ato impulsivo.

É comum que a traição ocorra por dois motivos: ou há um envolvimento afetivo por outra pessoa, a ponto desta ter se apaixonado, algo que pode acontecer com qualquer pessoa; e a segunda alternativa seria a possibilidade de que a pessoa que está a seu lado tem um ego que necessita que o seu poder de conquista seja sempre colocado à prova. Sendo assim, possivelmente essa pessoa sempre será infiel, independente do companheiro afetivo que esteja.

Ser traído é como se algo que nos pertence fosse tomado, roubado, ou melhor, a exclusividade do amor do parceiro foi compartilhada com outra pessoa, o que não é agradável. E é exatamente por isso que a traição, mesmo que perdoada, deixa cicatrizes. Tal como um vaso quebrado, que quando colado, evidencia as marcas.

Felizmente, não imaginamos que seremos traídos. Ingressamos em um relacionamento sempre com otimismo, acreditando que a traição não fará parte da nossa realidade. Isso é crucial, visto que se não tivéssemos essa ideia, possivelmente viveríamos sempre sozinhos.

Então, surgem as perguntas: Se eu for traída (o), o que faço? Qual atitude tomar? Devo perdoar ou terminar a relação? Essas são questões difíceis de serem respondidas, pois cada sujeito é único e cada pessoa tem uma perspectiva acerca de sua relação e de seu parceiro. Contudo, é imprescindível que, caso a pessoa decida perdoar a traição, esta reconstrua o relacionamento valorizando os pontos positivos e de maneira nenhuma vigiar os passos do parceiro. Encarar sua decisão com maturidade e pensar em possibilidades que fortaleçam a relação é fundamental. Viver um dia de cada vez. Se você conseguir fazer de cada dia ao lado de seu companheiro um momento agradável e significativo, a relação se tornará mais importante do que o que ocorreu fora dela.

Do contrário, ou seja, caso você decida encerrar o relacionamento, é preciso ter em mente que um relacionamento não tem garantias e por isso, ele pode terminar. Essa atitude não deve causar um sofrimento por um longo tempo. Terminar sem culpa é ótimo.

Em suma, depois de uma traição, você deve avaliar se ainda gosta dessa pessoa o suficiente para investir na relação. Foque em você, e não no que as pessoas pensaram da sua escolha.

Viva o presente! Não se paralise no passado!

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Tudo o que alguém fez para você no passado não tem poder sobre o presente. Só você lhe pode dar esse poder.” (Oprah).

A mudança é algo que se faz constante na vida de todas as pessoas. Tudo na vida é completamente mutável. Tudo vai e vem. O que verdadeiramente permanece imutável é o nosso passado. Este, o passado, é algo que está encerrado, terminado, completo e já não faz parte da existência atual. Palavras que são ditas, comportamentos e atitudes que são realizadas, oportunidades ignoradas…, são coisas que em nenhum momento teremos novamente e tampouco da mesma maneira. É impossível voltas atrás; voltar no tempo para apagar falhas que cometemos ou mesmo proteger-nos do sofrimento que sentimos no passado.

Todas as pessoas têm consciência disso. Contudo, muitos de nós lamentamos e sofremos ainda hoje, desejando avidamente termos a chance de retornar e fazer tudo da maneira correta. Por que isso ocorre?

Deixar as coisas irem embora é algo extremamente difícil. Isso ocorre especialmente nos momentos em que vivemos algum problema afetivo. Todas as pessoas que vivenciam a separação ou mesmo a perda de um parceiro sentem mágoa, ressentimento. Um relacionamento normalmente é constituído de promessas e perspectivas que eventualmente não são atingidas. Com isso, a pessoa se vê em um completo vazio, se sentindo desiludida e atormentada. Inicialmente, esse comportamento nada mais é que um mecanismo de defesa, visando diminuir a dor. Porém, se deixamos que a tristeza e desilusão nos tome o prazer da vida, somos obrigados a tê-las conosco durante muito tempo, e isso é muito danoso, inclusive podendo desencadear transtornos psicológicos como depressão, fobias, insônias, ansiedade, entre outros. Constatar que é possível aprender com o passado é excepcional, mas viver com ele ou mesmo dependente dele é excessivamente prejudicial.

A grande questão é que muitas pessoas sofreram e ainda sofrem com algo que ocorreu no passado. Isso faz com que a pessoa se sinta infeliz. Evitar se misturar ao seu passado e aos sentimentos que ele gerou, na época, pode fazer com que você se sinta mais tranquilo e feliz. Modificar o que aconteceu é impossível. Mas mudar a sua interpretação acerca de seu passado, você pode e deve fazer, desde que verdadeiramente deseje. O seu passado e aquilo que sente acerca dele, são coisas diferentes.

Por isso, se fundir aos acontecimentos do passado e, concomitantemente, aos sentimentos de angústia que ele gerou, é algo muito ruim, já que isso gera uma força altamente incapacitante, que lhe aprisiona ao tempo, lhe cristalizando nos sentimentos que foram gerados naquela altura e que transporta agora, julgando “ser” aquilo que sente e lhe aconteceu. Esse é um grande erro de raciocínio, que faz com que soframos desnecessariamente. Acreditar que é possível sair dessa situação é o diferencial.

Investir no conhecimento  das suas emoções é de extrema importância. Conhecê-las e saber lidar com elas torna-se numa vantagem para a vida de cada um de nós.

Você já parou para pensar que seu passado pode lhe ensinar lições para o resto de sua vida? Para que isso ocorra, é preciso de muita força de vontade e coragem, pois é básico que você aceite o fato que, em alguns momentos, agiu de uma forma que não foi bem sucedida, muitas vezes impensada, e que pode ter comprometido não somente você, mas outras pessoas, pessoas estas que você ama e que valoriza. Você pode ainda ter sido a vítima de alguma injustiça. Constatar o que foi ruim é analisar que a vida tem altos e baixos, e que erros têm consequências negativas. Todavia, se fazer de vítima e se condenar pelas falhas não resolverá nada, em absoluto.

Aceitar a realidade dos fatos e tentar modificar aquilo que se sente são capacidades humanas. Ainda que seja difícil, opte por aquilo que quer. Se optar por mudar aquilo que sente para aquilo que quer sentir, certamente será possível. Você é o único responsável por fazer escolhas que lhe favoreçam. O que ocorreu em seu passado só afetará a sua vida no presente se você permitir que isso ocorra.

Certamente, não é simples superar momentos ruins que vivenciamos, mas é bastante compensador. É triste, mas acontecimentos desagradáveis no passado fazem parte da vida de todos nós. Deixar para trás o que passou e viver o presente é um privilégio que trará saúde e bem estar para a sua vida!

Está comendo demais???

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Está ansioso? Está comendo excessivamente por isso? Simplesmente come exageradamente sem qualquer motivo aparente? Você já ouviu falar em Binge Eating? Esse transtorno pouco popular constitui-se em uma doença do comportamento alimentar, tal como a bulimia ou mesmo a anorexia. O Binge Eating, ou Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP), tem como principal característica a ingestão excessiva de alimentos em um período delimitado de tempo (normalmente até 02 horas), seguida da sensação de perda de controle sobre o que é ou o que se come. Além disso, nesse transtorno a pessoa come descontroladamente pelo menos 02 dias por semana durante pelo menos 06 meses, e consequentemente tem uma elevação significativa de seu peso.

O que ocorre com as pessoas que vivenciam esse transtorno é que elas comem não necessariamente por sentirem fome, mas sim uma grande vontade, muitas vezes incontrolável e até mesmo inexplicável, de comer. Isso traz à pessoa com TCAP sentimentos de culpa, angústia, vergonha e até mesmo nojo de si mesma. Por isso, é extremamente comum que esses episódios aconteçam quando a pessoa está sozinha. A voracidade alimentar assemelha-se à bulimia no que respeita à elevada ingestão de alimentos mas, ao contrário desta, não é provocado o vômito nem é feito qualquer tipo de comportamento compensatório do excesso alimentar.

Os sujeitos com TCAP possuem baixa autoestima e preocupam-se demasiadamente com o peso e a forma física, mais até do que as pessoas que têm sobrepeso, mas não apresentam o transtorno. De um modo geral, as pessoas com crises de voracidade alimentar sentem-se fora de controle, perdidas num ciclo vicioso de ingestão alimentar excessiva, sentimentos de culpa e arrependimento, restrição alimentar/ dieta e nova ingestão alimentar voraz.

Assim como muitos transtornos, o Binge Eating pode ter sua gênese na infância, precisamente nos momentos em que a formação dos hábitos alimentares ocorre. Muitas famílias têm como perfil utilizar a comida como maneira de compensação, amor, conforto ou mesmo uma maneira de extrapolar os conflitos emocionais e o estresse.

Se você é uma pessoa que come de forma descontrolada, observe as seguintes questões: ganho rápido e repentino de peso, flutuações no peso, ingestão excessiva de comida em um curto período de tempo, independente de sentir fome, comer escondido, esconder comida para consumir quando estiver sozinho, sentimentos de culpa e vergonha durante um episódio de voracidade alimentar, descontentamento com a aparência, especialmente com o peso, baixa autoestima, não frequentar encontros sociais em locais que priorizem a alimentação, como restaurantes, bares, praças de alimentação.

Infelizmente, o TCAP ainda é pouco reconhecido como uma perturbação do comportamento alimentar e que, como tal, deve sofrer intervenção de uma equipe multidisciplinar: psicólogo, nutricionista e, em alguns casos, psiquiatra. Observe-se! Ganhe qualidade de vida!