Eu me conheço bem?

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Tenho certeza que você já deve ter pensado que ninguém lhe conhece melhor do que você mesmo. No entanto, é bem possível que já tenha dito que “ele (a) me conhece melhor que eu mesmo (a)”. De fato, ambas as frases fazem sentido.

Uma professora assistente na Universidade de Washington, chamada Simine Vazirre, descobriu que somos mais perspicazes a identificar nossos estados internos, como a ansiedade, por exemplo, enquanto os sujeitos que convivem conosco têm mais habilidades para reconhecer e identificar a nossa capacidade intelectual, como a inteligência e a criatividade. Interessante, certo? Agora, e se eu afirmar que até mesmo indivíduos desconhecidos, com quem nos cruzamos, estão tão habilitados quanto nossos amigos para reconhecerem nossas características de extroversão? Parece loucura? Mas não é!

Na verdade, se pararmos para analisar, essa situação faz sentido. Não me surpreende o fato de conseguirmos reconhecer com facilidade os nossos estados de ansiedade, mesmo porque somos nós que os sentimos. Em compensação, podemos mascará-los e incorporar comportamentos que não deixem transparecer a ansiedade para as pessoas que estão ao nosso redor. Já com a inteligência e a criatividade, por mais que tentemos disfarçá-las, essa não será uma tarefa simples.

O que somos por dentro acaba ficando evidente aos outros porque fornecemos pistas que são facilmente interpretáveis por nosso meio social. A postura que assumimos, a forma como nos vestimos, o modo como decoramos nossa casa e nosso trabalho, entre outros comportamentos, têm algo a dizer a nosso respeito.

Certamente, as tecnologias também são fundamentais nesse aspecto. Redes sociais, por exemplo, evidenciam várias dicas sobre nós. A forma como estão organizadas, o conteúdo que publicamos, o tipo de informação que decidimos ou não passar, as fotos que tornamos públicas, entre outros.

A ideia de que precisamos escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho para deixarmos uma marca no mundo faz total sentido, mas isso não anula o fato de deixarmos a nossa marca em tudo aquilo o que fazemos e em tudo o que tocamos.

Sendo assim, é importante que cuidemos um pouco mais do nosso comportamento, ao invés de ficarmos presos somente em nossos pensamentos e sentimentos que podem nos levar ao erro. É justamente por isso que nos incomodamos profundamente quando alguém critica alguma de nossas atitudes. É que quando isso acontece, somos obrigados a refletir sobre o nosso comportamento e pensar sobre as prováveis incongruências entre a ideia que tínhamos de ser, por exemplo, muito agradáveis, e a realidade de nosso comportamento, que pelo visto, não o revela assim tão bom quanto acreditávamos.

Vamos refletir sobre isso… e sejamos felizes!

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Perdoar ou ficar irado?

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Quando o casal se desentende por causa de algum comportamento menos correto por parte de um dos cônjuges, é comum que se repitam padrões na sua forma de interagir e encarar o problema. De um modo geral, são comuns dois tipos de reação: aceitação ou negativismo, carinho ou raiva, perdão ou rejeição, desculpabilização ou agressividade, passividade ou culpabilização.

A questão é que nem sempre a expressão clara dos sentimentos e emoções, em um momento de conflito, é reconhecida como saudável. A psicologia positiva tem evidenciado que a reação de aceitação, perdoar e esquecer é a racionalização positiva dos problemas. Além disso, atualmente observa-se que os casais começaram a reconhecer o discurso de abertura de expressão de opiniões e sentimentos, ainda que nem sempre essa abertura seja real, visto que quando há uma expressividade honesta por parte de um cônjuge, nem sempre o outro tem a capacidade de aceitá-la.

Em compensação, em alguns momentos, expressar a raiva pode ser necessário para a solução de um problema relacional, contrariando a passividade e o perdão. De acordo com recentes estudos, uma interação conflituosa, menos passiva e mais autêntica na expressão das emoções (como a raiva, por exemplo) poderá, a curto prazo, ser bem desconfortável, mas aparentemente é a mais favorável para a saúde da relação a longo prazo.

A eficiência do perdão depende do nível de aceitação do cônjuge, da severidade e da freqüência da transgressão. Assim sendo, a longo prazo, a psicologia positiva poderá não ser a mais eficaz em todos os cenários, já que a aceitação do cônjuge leva o outro a tornar-se, em algumas situações, menos presente e apoiante, além de mais irresponsável financeiramente e até infiel. Quando expressamos a raiva, deixamos claro que o comportamento ofensivo não é aceito, levando-o a não repetir o mesmo. E quando o comportamento negativo não se repete, é evidente que melhorias acontecem a longo prazo.

Certamente, a expressão da raiva não é a solução de todos os problemas. Pode não ser aceita em todas as relações e em todas as situações, dependente do contexto e do meio, das expectativas, das crenças e das experiências anteriores de ambos os parceiros. É importante lembrar que em algumas situações, a expressão das suas emoções será mal-interpretada, seja pela passividade ou o contrário. A atitude mais acertada estará no meio de ambos os comportamentos, ou seja, no equilíbrio que não é simples de ser atingido, equilíbrio este entre o perdão e a expressão da raiva.

Eu te amo, mas não te suporto!

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Não é raro que casais afirmem que apesar de se amarem muito, o relacionamento na flui de uma maneira positiva porque não conseguem se entender. O que faz com que isso ocorra?

A vida afetiva é um contexto de grande importância de nossas vidas. Sendo assim, desejamos muito encontrar um parceiro, já que sem alguém há uma tendência a nos sentirmos incompletos ou mesmo não totalmente realizados. A questão é que administrar um relacionamento não é uma tarefa simples, mesmo havendo muito amor. Há situações em que os companheiros não conseguem se compreender, o que faz com que a relação não flua.

Em uma relação, temos um objetivo em comum, no caso, alimentar o relacionamento, mantendo-o vivo e positivo, mas ainda assim, temos que levar em consideração que há duas pessoas nessa relação, normalmente com padrões diferentes de funcionamento e atuação, cujas diferenças podem criar choques e atritos, desenvolvendo padrões de interação desadequados, o que desencadeia frustrações, agressividade e até mesmo o afastamento.

Quando estamos em uma fase difícil no relacionamento, as principais dificuldades são, em um primeiro momento, de cada indivíduo assumir o que está sentindo. Os parceiros começam a agir em um “piloto automático”, atacando um ao outro e se defendendo dos ataques do parceiro, sem conseguir analisar o que está acontecendo consigo mesmo, com suas emoções e os motivos pelos quais está se comportando de uma maneira agressiva ou distante.

Em um segundo momento, revela-se a grande dificuldade de partilhar o que está a se sentir e o que necessitaríamos do outro e da relação. Ao invés disso, passamos a agir de uma forma crítica, culpando o outro, apontando seus defeitos e acreditando que ele é intencionalmente agressivo e negligente, quando o caminho seria reconhecer as nossas vulnerabilidades, limitações, angústias, emoções e necessidades.

Para que consigamos romper estes ciclos, bem como reconhecer como expressar emoções e necessidades, segue uma atividade:

Em uma folha de papel, crie uma tabela com seis colunas com os seguintes títulos, sequencialmente: Situação, Reação Emocional, Reação Comportamental, Emoção de Base, Necessidade Geral, Necessidade Específica. A partir daí, comece a preencher da seguinte maneira: “Quando você (Situação), eu me sinto (Reação Emocional) e reajo (Reação Comportamental). Isso esconde o meu / a minha (Emoção de Base). O que eu realmente preciso é (Necessidade Geral) e portante preciso de (Necessidade Específica)”. Um exemplo simples de preenchimento é: “Quando você sai sem falar onde está indo, eu me sinto irritada e reajo brigando com você. Isso esconde a minha ansiedade e insegurança. O que realmente preciso sentir é que sou importante para você e que por isso comunicará onde está indo”.

Agindo dessa maneira, a nossa ativação emocional diminui e a receptividade do outro à nossa necessidade aumenta. Progressivamente, encontramos um ponto de equilíbrio no qual conseguimos comunicar um com o outro, criando-se um espaço para ouvir e ser ouvido!

O poder da Hipnose

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Como viver minha vida sem este problema? Essa é uma pergunta bastante comum em meu consultório. A minha resposta para essa questão é “não sei, mas que tal criarmos um novo modo de sentir a vida?”. A minha resposta normalmente causa espanto em meus pacientes. Ainda assim, eles aceitam. Então, sugiro um rápido exercício de Hipnose Clínica denominado “pseudo-orientação no futuro”. Quando o paciente está em transe, é sugerido que este faça uma “viagem no tempo”, especificamente para um lugar ou uma situação no futuro, com o intuito de que este experimente a sensação de sua vida sem o problema que tanto o limitava. Perguntas como “como seria o seu cabelo?”, “A sua roupa?”, “A sua postura corporal?”, “As suas emoções?” são feitas por mim, o que faz com que o paciente tenha uma experiência de imagens mentais o mais autêntica possível.

Em uma sessão como essa, usufruindo da ferramenta “Hipnose”, é possível a criação de um ambiente emocional de curiosidade e mudança. Esse, sem dúvida, é o primeiro passo para um futuro diferente. A sessão é finalizada com um pequeno treino do exercício de auto-hipnose. Dessa maneira, é estabelecido o processo de familiarização com uma nova realidade de viver e sentir a vida e, literalmente, isso abre novos percursos neuronais que vão impulsionar a mudança, e quebra progressivamente a rotina de velhos hábitos de ser e estar.

Por algum momento em sua vida, você já pensou na possibilidade de “recriar” o futuro? Pois bem. A modernidade tem feito com que cada vez mais atuemos através de um “piloto automático”. Nossa mente pode ser comparada com uma espécie de software de altíssima sofisticação. Grande parte das atividades que realizamos sequer nos damos conta.

A nossa mente faz o processo de interiorização e automatização para nos poupar tempo e recursos, e deste modo não termos que pensar ou aprender tudo de novo cada vez que iniciamos uma tarefa. Este processo é tão eficiente, que não temos controle consciente dele, nem o podemos travar. A interiorização é feita quer queiramos quer não, e guardada em um enorme “depósito de memória”, estando disponível sempre que necessário, sem termos que nos preocupar em quando e como acessar essa informação.

É interessante saber que do mesmo modo que aprendemos a automatizar tarefas rotineiras e necessárias, o mesmo acontece com comportamentos complexos e hábitos pouco saudáveis. Os seres humanos têm a habilidade de associar emoções a comportamentos e pensamentos, e estes nem sempre se transformam em situações agradáveis e se ajustam à vivência que desejamos ter, e isso pode ser um fator que fará com que a qualidade de vida seja comprometida.

Devemos pensar que da mesma maneira que estando conscientes do que nos faz mal, continuamos a repetir comportamentos e rotinas de pensamentos, é possível que lançando mão apenas da força de vontade não consigamos mudar essa conduta danosa. No estado de hipnose, que é um estado de concentração e foco denominado de “atenção focada”, aplicamos técnicas de sugestão hipnótica incorporadas na imagética e visualização criativa, com a intenção de obter um impacto mais intenso e eficaz na alteração de comportamentos automatizados, e assim, ganhar rotinas mais saudáveis e adaptadas à nossa vontade. É como se vivenciássemos um novo processo de aprendizagem de hábitos saudáveis, que substituíram os antigos e ruins, o que nos proporcionarão uma maior qualidade de pensamentos e, consequentemente, qualidade de vida.