Câncer de mama e gostar de si

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A partir de diversos estudos realizados sobre o câncer de mama, bem como o significativo aumento do número de novos casos a cada ano, sendo mulher, decidi tecer considerações sobre o tema.

O câncer de mama é uma das patologias que mais abala as estruturas física e emocional da mulher. De maneira concomitante, desencadeia sentimentos, emoções e comportamentos que as deixam fragilizadas antes e após a confirmação do diagnóstico, já que essa é uma doença socialmente relacionada à morte e à perda da feminilidade. Inicialmente, a mulher vivencia um intenso quadro de ansiedade, medo e até mesmo desespero, normalmente necessitando de um espaço/tempo para refletir sobre o fato de estar doente. A incerteza com relação ao futuro traz angústia, dor, medo e sofrimento.

A mama é considerada um forte símbolo da sexualidade, o que faz com que pensemos que qualquer patolgia que ameace essa parte de nosso corpo, fará com que perdamos a autoestima, nos direcionando a sentimentos de inferioridade e rejeição.

Vários autores e autoras descreveram sobre o tema. De um modo geral, os significados atribuídos aos seios estão intimamente ligados a fatores culturais e sociais. Yalon (1997), por exemplo, afirma que “independente da ótica sócio-cultural, a importância atribuída aos seios, ao longo dos tempos, tem sido predominantemente masculina”. Isso quer dizer que a sociedade, especialmente os homens, reconhecem os seios como sinal erótico vital em uma manifestação amorosa. Representam ainda a beleza feminina. Sendo assim, é inquestionável as qualidades estéticas e eróticas que os seios assumem, além de uma relevância ímpar na sociedade moderna. Definir o conceito de imagem corporal é uma tarefa bem complexa. Conforme Hopwood et al (2001), “não existe, hoje em dia, qualquer consenso face à definição de perturbação da mesma”. Já Cash e Pruzinsky (1990) declaram que “a imagem corporal é um conceito extremamente ambíguo”. Quando falamos de imagem corporal, a algo que precisamos levar em consideração: a relação que se estabelece ente a sociedade de consumo e o corpo, ou seja, a construção social da beleza.

Conforme a literatura, o conceito de imagem corporal envolve preocupações, sentimentos e pensamentos que cada pessoa possui acerca de seu corpo e da sua experiência corporal. Esta não se restrige somente a questões de ordem estética e/ou de aparência física. Ela é diretamente influenciada também pela idade, funções e aptidões corporais, etnicidade, sensações corporais, força, sexualidade, personalidade, estado saúde/doença, além das experiências vividas e a realidade sócio cultural. Assim, a imagem corporal pode ser encarada como uma construção decorrente de diferentes dimensões da experiência corporal.

Complementando, a imagem corporal pode ser descrita como uma imagem mental do corpo e pode envolver diversas dimensões, como a forma como a pessoa pensa sobre seu corpo, a percepção do próprio corpo, a forma como o indivíduo apresenta seu corpo e a satisfação com relação à aparência.

Hopwood (1993) refere que nos trabalhos em que o método de entrevista era utilizado para detectar os sinais emocionais deixados pelo câncer de mama, verificou-se a abordagem de aspectos como a insatisfação com relação à cicatriz, o impacto do tumor, o grau em que a mulher oculta a cicatriz com relação ao parceiro, o grau em que esta se recusa a se despir na frente do mesmo, a atitude e consciência com relação à aparência, o sentimento de deformidade, a vergonha, a atratividade sexual e a mudança da importância do seio para a mulher. Os principais pontos levantados por essas mulheres formam a insatisfação com a aparência (vestida), a perda da feminilidade, a dificuldade em ver-se nua, o sentimento de menor atratividade sexual, a consciência em relação à aparência e a insatisfação com a cicatriz e com a prótese.

Isso deixa claro que a procura do aperfeiçoamento da própria imagem, bem como a conservação de sua integridade são importantes elementos motivacionais. “A imagem corporal é um importante elemento dentro do complicado funcionamento de formação da identidade pessoal” (Pitanguy).

Por isso, valorize-se e goste de si sempre. Com cicatrizes, sem cicatrizes, com o sem seio, você é linda por dentro e por fora. Valorize isso! Não está conseguindo! Procure ajuda psicológica!

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