Terapia? Por quê?

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A maioria de nós, em algum momento de nossas vidas, sentimos que não existe mais a possibilidade de continuar vivendo com o sofrimento. É comum que nesses momentos, a ferida esteja tão grande e intensa, que simplesmente não conseguimos encará-la de frente.

Quando isso ocorre, nos esforçamos para ignorá-la, mas isso não é fácil. Por mais que nos esforcemos para deixá-la de lado, ela parece encontrar maneiras alternativas de expressar que está ali, presente, continuando indefinidamente a condicionar e comprometer a nossa qualidade de vida.

Quando nos damos conta, estamos em um paradoxo de nos protegermos desse desconforto interno, elaborando e colocando em prática atitudes que até fornecem um alívio imediato, mas que indiretamente acabam garantindo a manutenção desse desconforto, que permanecerá por tempo indeterminado.

O atendimento terapêutico, seja individual ou em grupo, possibilita que estejamos em uma atmosfera emocionalmente protegida, que permite com que sintamos segurança suficiente para encarar com menos medo a causa de nossa dor, observando e analisando com maior lucidez os seus limites e compreendendo com mais clareza a forma como está a nos condicionar.

É bem difícil lidar com o que encaramos. A falta de sentido com a qual nos deparamos, além das contradições de sentimentos, pensamentos e emoções colocam em dúvida nossa identidade e prejudica nossa autoestima.

Ao mesmo tempo que nossos valores garantem o sentido da identidade, estes afirmam que devemos ignorar essa parte dolorosa de nós mesmos, declarando que este não é um bom caminho. Desse modo, adentramos em uma fase indesejada, onde convivemos necessariamente com uma ferida simbólica, o que nos dá acesso ao motivo associado a seu aparecimento, fornecendo ideias que futuramente poderão ter um significado.

A partir da terapia, a depressão, a culpa, a fobia, o vazio existencial, entre tantos outros sofrimentos psíquicos, passam a ter uma explicação que internamente faz sentido. É importante que nesse momento percebamos o que impede a natural expressão dessa voz menos conhecida, que até então exigia a sua existência sem que soubéssemos os motivos.

Assim, ingressamos em uma fase de responsabilização de nós mesmos pela manutenção de nosso sofrimento, o que acontece de maneira concomitante à conscientização do que fazemos para manter a situação dolorosa e o motivo pela qual ainda precisamos fazê-lo.

Em suma, a lacuna entre a causa do sofrimento, ou seja, a dor que sentíamos e seu produto final vai desaparecendo de maneira progressiva, ficando claro o que estava a manter o sintoma de desconforto.

Esse é um momento ímpar na vida de um ser humano, na medida que conquistamos a liberdade de escolha, que permite abandonar aos poucos os nossos antigos padrões desadaptativos. Usufruindo dessa lógica para as diversas fontes de dor subjetiva que poderemos sentir, pretende-se que ao longo da vida nos permitamos estabelecer contato com uma série de experiências negativas que até esse momento evitávamos, estando mais permeáveis à sua influência, mas também mais resistentes a seu impacto negativo. Assim, aceitando com mais facilidade as dores, já que nos damos conta de que elas têm um significado e uma função primordial: nos mantermos saudáveis!

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