Rejeição!

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Tenho quase certeza que por pelo menos uma vez na vida, você já deve ter se sentido rejeitado. Se você ainda não viveu, é muito provável que ainda vivencie essa experiência. A pessoa que se sente rejeitada, se reconhece como frágil, pequena, impotente e o outro, em sua perspectiva, se torna exageradamente grande através do poder de tê-la deixado.

A rejeição está presente em nós desde sempre. Toda vez que nos sentimos excluídos ou abandonados por alguém, é fato que de imediato, surge a ideia: “fui rejeitado”. Essa sensação traz desmotivação, tristeza, falta de apetite e outros sintomas igualmente desconfortáveis.

Baseando-me nas diversas situações de rejeições que já ouvi de alguns pacientes, reconheço indícios de que a relação não estava bem e a sintonia do casal não existia há algum tempo. Sendo assim, a rejeição nao é nada além do que a consequência de inúmeras situações. Normalmente, pergunto ao sujeito rejeitado se este desejava se manter no relacionamento e este diz não saber ou ainda que já havia pensado em terminar a relação. É comum que eu ouça também que a pessoa está em dúvida se ainda gosta do parceiro. Então, mais do que uma rejeição, estamos em uma situação de desencontro emocional entre duas pessoas onde uma optou por sair, e não em uma situação onde há uma pessoa que ama incondicionalmente e outra, mais forte, que já não ama e decidiu abandonar o parceiro.

A partir daí, surgem algumas questões: o que leva um a sair do relacionamento e não o outro? O que leva a pessoa que não decide sair a se sentir rejeitada? Amo alguém que não me ama?

Observando a pessoa que opta por sair do relacionamento, constato que não é raro que a decisão seja precipitada e favorecida por um conjunto de fatores que se encontram no momento, como por exemplo, ganhar mais, estar bem posicionado no trabalho, sustentar uma rede de amigos e familiares mais sólida, conhecer um alguém pelo qual se interessou, ter uma casa própria ou uma residência alugada em seu nome. Sendo assim, na maioria das situações, o que facilita que uma pessa tome a decisão do rompimento são fatores que fazem que esse sujeito se sinta mais seguro. Em um casal que se separa, é muito possível que já existia a falta de comunicação, de atenção e de afetividade. Mas no momento em que um destes se encontra em uma posição social e/ou profissional mais favorável, este se reconhece em um momento propício para a tomada de decisão. Normalmente, essa decisão se mistura na mente do “rejeitado” como a ausência de amor e afeto.

Agora, o que leva a pessoa que não decidiu romper se sentir rejeitada? É comum que essa resposta não se encontre somente no relacionamento, mas em toda a história de vida do indivíduo. Respostas como “quando me sinto rejeitado, sinto-me pequeno, fraco, impotente”; “a primeira vez que fui rejeitado foi na infância, pelo meu pai / mãe / irmãos / amigos”; “a rejeição faz com que eu sinta que o amor foi retirado de mim, que não mereço ser amado”; “ele (a) é melhor que eu e não vou encontrar ninguém melhor”.

Isso faz com que pensemos em um primeiro momento, que há uma confusão entre a decisão do outro de sair da relação e com a noção de amor retirado ou não merecido. A consequência disso é acreditar que o outro é melhor que eu. Essas noções encontram-se na base da sensação de rejeição e fazem com que o outro se coloque em uma posição inferior com relação ao outro, o que não favorece o desenvolvimento saudável do relacionamento.

Caso a autoestima da pessoa esteja fragilizada, dificilmente esta conseguirá manter uma relação de maneira sausável e feliz, já que sempre acreditará que dependerá do outro para ser feliz. Por isso, sente que precisa se esforçar para que o outro não vá embora. Com isso, a relação perde a leveza e a espontaneidade. Ficou claro que as primeiras sensações de rejeição acontecem na infância, onde realmente a sensação de que o outro é maior é real. Todavia, algumas pessoas trazem essa sensação para a vida adulta, onde ela já não deveria existir.

Então, chegamos à terceira questão: amo quem não me ama? Essa possivelmente é a raiz do problema. Será que é possível amar quem não me ama? As pessoas saudáveis amam a si mesmas incondicionalmente, aceitando-se da maneira que são, reconhecendo seus pontos fortes e fracos, adaptando-se ao contexto de maneira construtiva. Essas pessoas, diante da decisão do outro de sair do relacionamento, observam que a decisão se relaciona com o processo do outro, não pondo em causa a si próprias. Não confundem o afeto com o processo de cada um. Concomitantemente, amam o outro e querem o seu bem, respeitando o seu próprio processo. Por isso, seria impossível ser saudável e ao mesmo tempo continuar a amar alguém e querer estar com esse alguém que toma uma decisão contrária a isso. Precisamos compreender que quando o outro toma essa decisão, isso não diz nada sobre mim e sim sobre a trajetória do outro. Assim, a rejeição deixa de ser um conceito em nossa vida e passamos a aceitar a ideia de desencontro. Se eu me amo, só fará sentido que alguém esteja em minha vida se este quiser estar comigo. O que for contrário a isso será intolerável.

O trabalho para a manutenção de uma autoestima saudável, forte, auxilia-nos também em uma interpretação construtiva acerca dos desencontros naturais que ocorrem na vida de cada um, ao invés de nos maltratarmos com isso.

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