Por que a depressão me atingiu?

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Muitas pessoas questionam e não compreendem os motivos de estarem depressivas.

A depressão é um transtorno complexo e árduo de ser encarado por causa da intensa negatividade que fica evidente nas pessoas que sofrem dessa perturbação.

Esta é uma das perguntas que mais comumente ouvimos em consultório quando trabalhamos com alguém a debater-se com a depressão. O que torna a depressão ainda mais difícil é o fato de sujeitos depressivos tenderem a subvalorizar as próprias experiências dolorosas a partir do momento em que se comparam com pessoas que supostamente estão enfrentando uma situação aparentemente mais delicada, o que não necessariamente é uma verdade. É frequente ouvir questões como “Se fulano ou ciclano tiveram na sua vida momentos tão difíceis como um divórcio, a perda de alguém querido ou uma doença grave, que moral eu tenho para estar assim?”. De fato, encontrar respostas para a pergunta chave desse texto não é uma tarefa simples, algo que até certo ponto é negativo, já que faz com que a autopercepção do sujeito depressivo se torne fragilizada e que este passe a se reconhecer como impotente, falho e fracassado.

Assim sendo, o que torna determinados indivíduos mais propensos a desencadearem um quadro depressivo? O que faz com que pessoas com vidas “confortáveis” deprimam e outras não? Certamente, existe uma série de hipóteses que na prática clínica vamos confirmando ou descartando. Concomitantemente, continuamos a investigar em grande escala de forma a determinar, de forma inquestionável, quais os fatores que parecem tornar certos indivíduos mais vulneráveis à depressão.

Um estudo recente desenvolvido na UCLA, na California, EUA, complementou dados interessantes e possibilitadores de uma resposta à esta pergunta. Os pesquisadores chegaram à conclusão que sujeitos com experiências adversas na infância, têm tendência a ser menos resistentes a fatores de estresse e consequentemente mais vulneráveis  à depressão, principalmente se essas experiências forem no campo relacional, como um divórcio não amigável dos pais, ou o afastamento de um dos pais por período prolongado. A hipótese dos pesquisadores é que essas experiências poderão resultar na aprendizagem de expectativas e crenças fortemente negativas com relação ao mundo. A partir daí, os fatores esperança e crença em um futuro mais bem sucedido são diminuídos, tornando-se mais provável o desenvolvimento do desespero tão característico da depressão. Paralelamente, os pesquisadores concluíram que experiências anteriores de depressão também tornam mais provável o ressurgimento futuro deste transtorno, pois essas pessoas estão mais sensíveis ao estresse.

Desse modo, adiciona-se ao nosso conhecimento relativamente às causas da depressão e reforça-se algo que já temos conhecimento: uma gestão eficaz, bem cuidada e inteligente do estresse pode ser fator decisivo na prevenção da depressão.

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