A grande necessidade da intimidade e da confidencialidade em uma relação a dois

download (1)

Compartilhar a nossa intimidade é falar sobre nossas partes mais sensíveis. É declarar nossas qualidades, os maiores erros, os maiores defeitos, nossas falhas, loucuras, ousadias e nossos sonhos. Partilhar a nossa intimidade é dividir o nosso lado bom e o lado ruim. Compartilhar não é só dividir o que é belo e inspirador. É dividir também o lado feio, compreendendo que é melhor partilhar a pureza sem nenhum tipo de disfarce.

Em qualquer relação onde há o interesse em um aprofundamento, há necessariamente a partilha da intimidade. No entanto, revelar conceitos muito profundos, ou extremamente íntimos, implica em outra condição igualmente fundamental: a confidencialidade. A intimidade é algo muito precioso e justamente por isso deve ser preservada como segredo.

Para haver intimidade, deve haver confidencialidade e vice-versa, visto que são pontos que se completam. Relações fortes e duradouras precisam de fundamentos e alicerces fortes. Esses alicerces assentam suas forças na intimidade. Um casal enamorado deve atuar como companheiro, cada qual desejando partilhar a sua vida e caminhar junto, auxiliando um ao outro. Para isso, sem que percebamos, lançamos mão da intimidade, partilhando e permitindo que o outro conheça o nosso interior. É importante afirmar que esse momento é somente do casal e por isso não deve ser dividido ou comentado com ninguém. É algo para respeitar e valorizar. É como um segredo muito íntimo. E a confidencialidade é que revela a importância desse segredo.

Um dos pontos que pode dissolver a relação e deixar feridas profundas é a quebra da intimidade. Não é raro que por uma pressão social, para ter um assunto, para ser diferente ou por outro motivo qualquer, um dos parceiros comece a falar sobre a vida íntima do casal para amigos, conhecidos ou familiares, o que pode ser algo perigoso. Por que é perigoso? Nós sabemos que a vida social e de amizades se passa comentando sobre nossos relacionamentos amorosos, até mesmo por ser um tema mais atraente do que falar sobre uma teoria, um livro ou qualquer outra coisa que exija uma maior nível de atenção, visto que muitas pessoas se desconectam do assunto quando não se identificam com o mesmo. Não obstante, quando o assunto é relacionamento, as pessoas despertam um nível máximo de atenção. Por quê? Porque conectados às relações estão aspectos intrínsecos de intimidade e também porque quando um sujeito expõe algo íntimo, a pessoa que recebe esse segredo se sente importante, já que foi a escolhida para tal revelação. O ser humano deseja ser especial e esse tipo de situação permite que ele se sinta dessa maneira.

A questão é que essas revelações são “uma faca de dois gumes”, pois podem entrar em aspectos de grande intimidade e até banalizar ou ainda vulgarizar algo secreto e extremamente sensível. Se a pessoa amada reconhece que está sendo comentada, ajuizada, criticada por conhecidos e desconhecidos, isso pode ser muito ruim e pesado, já que dessa maneira, rompe-se o laço da confiança e a própria pessoa deixa de querer estar com amigos ou conhecidos do companheiro. A consequência é o rompimento de círculos sociais interessantes para o casal, o que faz com que a vida social deste desmorone. Além disso, abre-se uma ferida que levará muito tempo para cicatrizar. Rompendo-se a intimidade, meio caminho para o rompimento do relacionamento já foi percorrido.

Mas quando a relação vai mal, como devo proceder? Mesmo que a relação não seja mais positiva, é importante que os parceiros se comuniquem e verifiquem em conjunto o que pode ser revelado socialmente. É fundamental que as duas pessoas consintam e que nada seja feito às escondidas.

E quando revelamos pequenas questões íntimas sem declarar nada ao nosso parceiro? Nesses momentos, é interessante pensar que estamos desconsiderando a célula “nós”, pois se trata de um assunto que diz respeito ao casal, e não somente a mim. Se desejamos revelar algo íntimo, que revelemos de nós mesmos e não do nosso parceiro.

Somente quando a situação do casal está bem delicada e se faz a necessidade de uma busca profissional, no caso, de um psicólogo, que é declarada a exceção e que o melhor é falar abertamente sobre tudo o que perturba a relação. Na relação terapêutica, há a liberdade de quebra da confidencialidade e da intimidade do casal, mesmo porque há um sigilo ético do profissional.

Sendo assim, é fundamental que se retenha que para que um relacionamento íntimo perdure, a partilha da intimidade e a garantia da confidencialidade, que só deve ser quebrada com o consentimentos de ambos, é indispensável e que a exceção deve ser exclusivamente em um contexto terapêutico.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s