Qual é a patologia?

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Na saúde mental, os psicólogos usufruem de duas publicações importantes para os diagnósticos e prognósticos utilizados durante o processo terapêutico – o CID 10 e o DSM IV. Não obstante, nem sempre esses manuais classificatórios são úteis como deveriam ser.

É muito raro que pacientes iniciem o atendimento psicológico evidenciando sintomas claros e concisos, ou seja, é muito improvável que o sujeito evidencie somente sintomas patológicos. Por isso, essas publicações são pontos de referência para que os terapeutas agrupem sintomas e dirijam as suas diversas maneiras de conduzir a terapia, visto que esses manuais servem especificamente para realizarem diagnósticos simples e objetivos.

Não é incomum que os diagnósticos sejam mais importantes para o paciente do que para o terapeuta. A modernidade tem feito com que as pessoas demostrem uma grande necessidade em catalogar as suas patologias e explicar o seu mal estar a partir de uma nomenclatura, o que faz com que estas procurem uma semântica patológica.

A necessidade de catalogar as patologias foi criada pela sociedade há várias décadas, mas ganhou especial destaque a partir dos anos 90, quando muitas pessoas já falavam em depressão. A partir do ano 2000, patologias como autismo e hiperatividade ganharam destaque e atualmente muito se discute sobre pessoas bipolares.

Todo este movimento de patologia social pode ser explicado através da evolução na compreensão ou desenvolvimento de programas terapêuticos para cada quadro clínico. Pode ser explicado ainda de uma maneira mais simplificada, já que antigamente, as patologias eram escondidas da sociedade, algo que hoje não acontece mais.

As perturbações no desenvolvimento foram bastante exploradas nos últimos anos. O autismo e a hiperatividade, tal como mencionado acima, são patologias muito presentes e comentadas no contexto escolar moderno.

Algo que ganhou destaque e que tem se tornado cada vez mais comum nos consultórios, é a busca de pais e familiares para um nome que defina um quadro patológico. Nas deficiências mentais, por exemplo, os familiares procuram saber e compreender a razão da existência dessa deficiência. Além da categorização, há uma busca por uma nomenclatura que seja socialmente aceita.

Em suma, meu objetivo é deixar explícito que nem sempre é fácil realizar um diagnóstico claro e conciso, já que em muitos casos, a mistura de sintomas patológicos com questões emocionais dos pacientes, além dos sintomas “escondidos” ou menosprezados pelos sujeitos dificultam o diagnóstico objetivo. Entretanto, isso não deve ser encarado como um problema, pois esse diagnóstico serve muito mais para a compreensão e aceitação do paciente do que para a estruturação terapêutica. O diagnóstico é uma estruturação pessoal e social, e não necessariamente patológica.

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2 pensamentos sobre “Qual é a patologia?

  1. Ponto muito importante, Elaine. Muitas vezes os pacientes procuram um certo conforto no diagnóstico, como se a patologia fosse uma entidade externa causadora do sofrimento. Com o diagnóstico, os pais ou a pessoa com a “patologia” sentem que a “culpa” não é sua e passam a ter uma explicação para suas dificuldades.

    Explicar que o diagnóstico é uma convenção social criada a partir dos sintomas a fim de facilitar a comunicação dos profissionais (e também o lucro da indústria farmacêutica) é importante para que a pessoa saiba lidar bem com suas dificuldades.

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