Divórcio: colando os cacos

download (1)

A ruptura de um casal é um momento extremamente marcante e que causa um grande choque psicológico em ambas as partes.

É um fato que o contexto da separação é acompanhado por uma intensa carga de estresse que os ex-cônjuges terão de enfrentar. Esse estresse tem sua gênese nos diversos sentimentos e realidades que se impõem a partir do rompimento da relação.

Cada um à sua maneira e conforme a natureza do processo de separação, enfrentará o sentimento de perda e tristeza por ver o outro partindo. Ambos poderão sentir também a sensação de terem sido abandonados ou rejeitados, a culpa por não terem conseguido sustentar a relação com o outro e o medo diante de um futuro incerto. Acrescem-se ainda a inevitabilidade das realidades que se alteram e que são igualmente geradoras de uma considerável carga emocional, como por exemplo, a alteração da situação econômica do casal, a frequência de oportunidades relacionais com os filhos e com a família alargada do ex-parceiro/parceira.

A associação desses fatores é delicada e difícil de lidar, tanto que é compreensível que a resolução deste momento de crise possa estender-se a 02 (dois) anos.

Como seres humanos, dificilmente conseguimos eliminar o estresse oriundo desse tipo de crise. Não obstante, podemos reduzí-lo a níveis não invasivos. Há ainda a possibilidade de que cada indivíduo encontre e crie maneiras de armazenar energia suficiente para gerir a crise que, mesmo que essa se pareça, inicialmente, insuperável.

Para garantir uma sobrevivência saudável das relações parentais, após a extinção dos papéis marido – mulher, é preciso que ambos apelem à qualidade do perdão dos erros e falhas do ex-parceiro, além da evitação da exposição dos deslizes e desvios no comportamento do outro.

O casal frequentemente se separa por causa pelas incompatibilidades de ideias e comportamentos. No entanto, nenhum dos parceiros consegue se libertar totalmente da função paterna / materna. Nesse sentido, tolerar as diferenças, após a separação, é necessário para que os dois possam continuar a exercer uma função parental saudável, num regime agora diferente.

A separação é um momento muito difícil para as duas partes. Caso você esteja passando por isso, saiba que o ato de culpar o outro não irá alterar verdadeiramente a dor e a sua compreensão.

O caminho da cicatrização interna é encontrado no caminho de olharmos para nós próprios e procurarmos o que há da nossa responsabilidade nesta crise, porque numa situação de separação ou divórcio, a responsabilidade é partilhada, e é importante que cada um descubra o que lhe pertence. Não existe nenhuma relação que fracassa somente porque uma das partes se equivocou ou falhou.

Transcender à crise significa ter a coragem de nela se aprofundar, no sentido de a conhecer, compreender e incorporar. É ter consciência daquilo que fomos, daquilo que somos e daquilo que pretendemos ser.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s