As três pessoas da relação do casal

casal

Vamos deixar de lado a ideia romântica de que um casal se transforma em um único ser! Na verdade, num casal, existem três elementos: o eu, o você e o nós. Uma relação é composta por duas pessoas com histórias de vidas individuais, com sonhos particulares, com alegrias e tristezas, com medos, fracassos, vitórias e conquistas, a sua própria maneira de olhar para o mundo, e por outro lado um conjunto relacional, que por sua vez também tem uma história e uma identidade particular. Partindo desse pressuposto, é possível dizer que em uma relação deve existir espaço para as três entidades, ou seja, um espaço que preserva cada uma das pessoas, o eu e o você, e um espaço de comunhão, do nós, que é o resultado da junção dos outros dois.

Reunir essas três figuras muitas vezes se torna uma tarefa difícil, visto que em um casal sempre existirá perspectivas diferentes entre as duas pessoas sobre os espaços que a diferenciação e a comunhão que devem ocupar. É bem comum que isso aconteça, por exemplo, quando um dos sujeitos acredita que o “nós” deverá ocupar mais tempo e energia de cada um, e o outro sujeito da relação acredita que a vida individual deve ser a prioridade. É visível, nesta situação, que há uma dificuldade na conjugação das duas perspectivas sobre o casal. Muitas pessoas erroneamente acreditam que o fator gerador de conflito é o fato de uma perspectiva ser mais correta do que a outra e o parceiro não compreender isso. Não é verdade. O problema está no fato de as perspectivas de cada sujeito serem divergentes.

Os fatores que fazem com que criemos perspectivas acerca das relações são os mais variados possíveis. Os principais são a sociedade na qual estamos inseridos e os modelos que temos como referências de sucesso ou insucesso em relacionamentos, como pais, tios, avós, amigos. Essas relações fazem com que desejemos seguir uma relação igualmente bem sucedida, no primeiro caso, ou fazem com que fiquemos com medo de repetir histórias que não deram certo.

Certamente, nem sempre focamos nesses modelos de maneira consciente. Estas referências acabam por se tornarem crenças inconscientes que fazem com que adotemos comportamentos e formas de agir dentro de uma relação. Normalmente, não temos consciência de que sentimos e agimos com base nesses modelos. Confirmamos nossos modelos a partir do mecanismo de atenção seletiva, o que quer dizer que nos focamos nos sinais, internos e externos, que nos dizem que o nosso modelo está certo.

Isso acontece porque acreditamos que para conseguirmos alcançar a felicidade em uma relação é preciso respeito, amor, paixão, simpatia, afeto, cordialidade, lealdade, que devemos reservar um tempo considerável para a vida em casal e que também devemos reservar tempo para cada um de nós individualmente, devemos ou não ter relações com amigos, sermos mais ou menos fechados, entre outros… enfim, crenças.

A partir daí, construímos teorias sobre nós, sobre nosso parceiro e sobre a relação. O alicerce são as crenças que temos, pois nos comportamos de acordo com estas e tendemos naturalmente a confirmá-las e reconfirmá-las. Em suma, sempre teremos crenças. Este é um fato incontornável. O que não é incontornável é que elas tenham que se manter sempre as mesmas ao longo da vida, e sobretudo que não possamos flexibilizar. Devemos pensar que as diferentes etapas do ciclo da relação de um casal, o crescimento individual, os acontecimentos que a relação e os sujeitos vão vivenciando vão nos obrigando a aderirmos a novas crenças e valores, o que faz com que como casal, mudemos o nosso funcionamento.

Mesmo vivenciando uma crise, o casal deve reconhecer este momento como importante para transformar o problema em uma oportunidade de crescimento a dois. Vale à pena pensar nisso.

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