Aborto natural: e a antes gestante, como fica em uma nova gravidez?

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Apesar de não ser um tema amplamente discutido, existem algumas consequências psicológicas decorrentes da situação em que uma mulher sofre um aborto espontâneo e, quando engravida novamente, teme revelar o seu estado biológico.

Um aborto ocorrido de maneira espontânea traz uma herança psicológica muito carregada negativamente. O corpo, antes seguro e firme, se torna vulnerável, frágil, passando a ser considerado pela mulher uma “casa” desconfortável, insegura e de desconfiança. É como se o corpo tivesse traído a mulher, que passa a sentir uma grande dificuldade de identificação com o mesmo.

A desilusão e a incredulidade que o corpo transmitiu no momento da interrupção indesejada da gravidez geram na futura gravidez muita insegurança e receio. “Eu não confio no meu corpo” é o principal pensamento que ronda a mulher nesse momento. Desse modo, a mulher passa a vigiar o seu corpo exageradamente, e consequentemente a gravidez deixa de ser vivida de maneira harmoniosa. A gestante fica a todo tempo tensa e ansiosa. A mulher passa a hipervigiar o próprio corpo, ficando alerta a todos os sinais que  este apresenta. “E se ocorrer algum mal?” “E se meu corpo novamente rejeitar o meu bebê?”.

Essa dúvida passa a fazer morada nos pensamentos da mulher e não mais a abandona durante todo o período gestacional. As ecografias e demais exames transmitem alguma segurança à gestante, mas a dúvida continua a corroendo interiormente, o que gera tensão. A tranquilidade retorna à gestante somente após o nascimento.

Certamente, há em vários casos um grande trauma em um aborto natural. Por isso, a mulher, após ter sofrido um aborto, passa a ter um cuidado maior na exposição social de sua nova condição: a de gestante. O medo de gerar expectativas, de trazer lágrimas de alegria, abraços, sorrisos que podem não se concretizar está sempre presente.

Há um grande dilema da mulher nesse momento, já que ao mesmo tempo em que ela deseja compartilhar seu novo estado, o fato dela permanecer omissa é mais confortável, na medida em que não gerará novas expectativas nas pessoas. No entanto, ao mesmo tempo é desconfortável porque não se permitirá viver plenamente esse estado tão incrível. Gerar um bebê é algo grandioso, único, mágico, mas que também gera muita ansiedade.

Quando a grávida sofre um aborto espontâneo anteriormente, e passa a negar o seu atual estado, não compartilhando sua condição, ela está também não transmitindo a sua alegria, e desse modo ela está criando mais estados de tensão.

O grande problema dessa condição é que estados elevados de tensão podem desencadear um aborto natural, algo que definitivamente não é desejado pela gestante. Por isso, é crucial suavizar a tensão.

Se resguardar completamente é se defender. Porém, essa atitude cria micro-tensões dentro da mulher. É preciso e necessário, até mesmo para o bem da gestação, que a gestante vá trabalhar, sair com amigos e viver livremente este momento tão especial de sua vida. Quanto mais disposta, feliz e fluida a vida da gestante for, menor será a probabilidade de um novo aborto.

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