Saudades…

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Saudades… Sentimento tão humano, profundo e ao mesmo tempo tão desconcertante. Sentimos saudades do que já foi, do que vivemos, do que foi prometido, de alguém que não está mais conosco ou que simplesmente saudades de alguém com quem deixamos de conviver.

Nós, pessoas, temos o privilégio de termos um sentimento tão digno quanto a saudade. A consequência desse sentimento é sempre nos aproximar das pessoas ou situações ausentes.

A saudade tem uma função ímpar em nossa vida: devolver-nos as direções de nossa identidade, na medida em que organiza nossa memória e situa-nos no meio dela.

Durante a nossa vida, experimentamos por diversas vezes sentir saudades. Isso é importante porque, indiretamente, coloca em prática nossas memórias episódicas e emocionais, e essa situação concede-nos uma espécie de qualificação ao grau de pessoas que pensam ou sentem a própria história. A saudade faz com que a nossa personalidade seja consolidada.

Em alguns momentos, a saudade dói como um corte feito por navalha. Sentimos o nosso coração sangrar em nossa alma. Sentimos ainda um vazio imenso  quando estamos com saudades de alguém ou de algo. Então, é possível dizer que nesse momento, a saudade nos faz mal. Muitas pessoas deixam até mesmo de viver o presente porque a saudade rouba a capacidade de vivê-lo de uma maneira positiva. Isso ocorre porque sentimos uma grande insegurança e necessidade de proteção que a pessoa ausente nos proporcionava.

Nós  sentimos uma enorme necessidade de estarmos inteiros, completos, e muitas vezes cremos que essa completude se dá somente na presença do outro. Quando essa pessoa ainda faz parte de nosso convívio constante, acreditamos que podemos ser quem “verdadeiramente somos”, mas custamos a senti-lo quando estamos sozinhos. Sentimo-nos completos na intimidade com o outro, mas vazios na intimidade com nós próprios.

Seria extremamente favorável que pelo menos de vez em quando nos bastássemos. Você já pensou em se relacionar consigo mesmo, gostar de si mesmo, valorizar a sua própria potência? Quando nos relacionamos afetivamente com alguém, nos enamorarmos, afirmamos que “fulano” é nosso amigo, ou outras situações semelhantes, estas não acontecem simplesmente porque encontramos a nossa metade, como popularmente falamos. Isso ocorre porque sentimos e reconhecemos no outro alguém capaz de negociar conosco a nossa “totalidade”. Nós não somos metades. Somos uns. Mas precisamos dos outros para ter a certeza.

Saiba, enfim, que antes de sentirmos saudades do outro, sentimos saudades de nós mesmos quando éramos com ele (a). Tínhamos uma certeza de quem éramos antes, juntamente com o outro, e quando este se vai, ficamos em dúvida de como seremos a partir de agora. Sentir saudades é relembrar e revisitar o outro, mas é também estarmos mais perto de nós mesmos!

E agora, que faço eu da vida sem você

Você não me ensinou a te esquecer

Você só me ensinou a te querer

e te querendo

eu vou tentando me encontrar…

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