O fantasma do desemprego bateu em sua porta?

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O Brasil é um país em pleno desenvolvimento. Não obstante, ainda é muito alto o nível de desemprego no país. Perder o emprego, para muitos, é o mesmo que perder referências importantes, que identificam quem eu sou ou mesmo o que eu tenho de valor. O sujeito desempregado reconhece que sua realidade se desfigurou e, quase que automaticamente, inicia-se um processo de abandono das referências, que ocorre por conta de um ciclo que se inicia a partir de um choque, seguido pela depressão e podendo conduzir ou não à adaptação. Assim, a pessoa desempregada vive um processo de perda e culpa.

A supervalorização do capitalismo, faz com que o emprego esteja diretamente relacionado com a valorização moral da pessoa, no caso, o trabalhador. As pessoas que estão desempregadas, pelo contrário, são desvalorizadas e reconhecidas, em muitos momentos, como indivíduos incapazes.

É importante pensar que, apesar de um desempregado não estar momentaneamente exercendo seu ofício, ele é uma pessoa e faz parte de um grupo social. É um sujeito ativo, repleto de habilidades e potencialidades, mesmo não estando empregado. Além disso, assim como sujeitos ativos profissionalmente, os desempregados também estão em processo de transformação, como todos os seres humanos.

O grande desafio para o sujeito que temporariamente está desempregado, é lidar com a complexa instabilidade psicológica oriunda da falta de recursos financeiros e sociais que ele mesmo insere em sua vida, certamente que de forma inconsciente. A família, os amigos e até mesmo a sociedade valorizam o sujeito trabalhador. Quem está fora de um ofício, consequentemente não é reconhecido como um sujeito de valor, e isso é um grande problema. As pessoas deixam de analisar outros atributos do sujeito e o pior: até mesmo o próprio desempregado perde a capacidade de reconhecer seus valores e capacidades.

Devido a esses fatores, somados a outros como independência, controle do próprio tempo de finanças, entre outros, há uma transição nas relações de trabalho; o emprego formal está diminuindo e dando espaço a outras formas de trabalho remunerado. Todavia, o trabalhador permanece com o mesmo significado instituído de emprego. O emprego formal fornece uma estrutura temporal para a vida do trabalhador e um senso de propósito, fornece rotina e salário regulares; já outras formas de trabalho remunerado como o trabalho autônomo não fornecem necessariamente as mesmas estruturas.

A partir dessa análise, é possível afirmar que a relação de trabalho e saúde mental é bem mais ampla do que se previa. Algumas pesquisas bem atuais revelam, inclusive, que pessoas que ficam por mais de seis meses desempregadas, estão mais predispostas a vivenciarem problemas no campo da saúde mental. Evitar o pânico e criar alternativas diante do desemprego podem fazer com que o sujeito passe a valorizar atributos que antes sequer reconhecia em si mesmo, além de evitar transtornos em sua saúde física e mental. Pessoas nessa situação podem aproveitar para reinventar, crescer, evoluir e até conseguir algo melhor. Isso soa surreal para você? Mas não é. Em muitos momentos, deixamos de aproveitas excelentes oportunidades porque estamos focados no problema. Deixamos de aprender mais sobre nós mesmos, sobre como exercer a missão de vida, sobre o que verdadeiramente queremos da vida e o que podemos fazer para melhorar a todo tempo. Tirar o foco do problema, ou seja, parar de se deter no que está errado ou naquilo que deixou de fazer pode ser um grande diferencial. Aprenda a aproveitar o seu tempo buscando e refletindo sobre novas oportunidades. Aprender a ter uma atitude empreendedora, reativar a sua lista de contatos, manter-se atualizado, manter uma atitude positiva, sorrir e modificar satisfatoriamente o seu dia a dia e estar sempre preparado são trunfos que você sempre deve ter na vida. O fato é que muitas vezes, ao conseguir um novo emprego, não é preciso esperar muito tempo para que comece a fazer exatamente as mesmas coisas que fazia anteriormente e, desse modo, a probabilidade de um novo desemprego possivelmente virá à tona.

Sendo assim, utilize o tempo que você estará no aguardo de uma nova oportunidade de emprego para rever sua lista de valores e quais são as suas convicções a respeito de como poderia contribuir para sua próxima empresa empregadora. Vai valer à pena.

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