Como lidar com as perdas?

slide3

Assistindo ao noticiário ontem, deparei-me com uma triste notícia: a tragédia ocorrido no Centro de Santa Maria, Rio Grande do Sul, em que centenas de pessoas faleceram. Então, surgiu a seguinte questão em meus pensamentos: quem de nós já não viveu uma situação de perda na vida? Com certeza, todos já passamos por situações assim. As perdas podem ser de variados tipos, como o falecimento de um ente querido, por separação, por uma desavença, dentre tantos outros. Há também outros tipos de perda, que são tão ou mais dolorosos que os anteriormente mencionados: perda da saúde, perda do emprego, perda do funcionamento de algum órgão do corpo, perda de um animal de estimação, perda da liberdade, perda de um objeto de estimação, perda da identidade, perda da fé, etc. A perda ocorre para todos os seres humanos. Perder faz parte do ciclo normal da vida.

Como lidamos com a perda? Este é um assunto que muitas pessoas tentam evitar, mas é algo que temos que encarar algum dia. Por isso, é sempre válido refletir… As perdas que ocorrem na vida são inúmeras. É comum que fiquemos tristes e que, conscientemente, em algumas situações não reconheçamos que a origem desse abatimento seja uma perda, seja de algo ou alguém.

Você sabia que assim que nascemos já estamos perdendo algo? É isso mesmo. Ao nascer, deixamos de ocupar aquele lugarzinho acolhedor e protetor que é o útero materno. Por isso, é fundamental romper o cordão umbilical com a figura materna para que a vida tenha continuidade.

Cada pessoa lida com a perda de uma maneira peculiar: alguns reprimem, outros seguem a vida e aparentam estarem muito bem. Outros ainda questionam os motivos da perda, querendo colocar lógica e/ou motivo. Há também os práticos, que mesmo diante da perda não param de agir. Outros se prendem no “e se…”, ou “como eu queria…”, “como eu gostaria de…”, “eu ia…”. Paralisados em um momento anterior (longínquo ou não) que faria toda diferença. Todas essas são maneiras de conviver com a perda.

A perda, que faz parte da vida desde o nascimento, faz com que reflitamos: só podemos viver, progredir, conquistar o mundo na medida em que abandonamos determinados lugares, determinadas situações, determinadas pessoas, determinados princípios e conceitos.

Ser livre é uma conquista que ocorre à medida que ocorre o enfrentamento de situações atuais e o desligamento de situações que causam incômodo. É um fato que não podemos estar em dois lugares ao mesmo tempo. Por isso, é importante o abandono de um lugar para a ocupação do outro. Em resumo: perdemos algumas coisas para podermos conquistar outras!

Pensar que, para cada perda, há sempre um ganho, é algo extremamente motivador. Nada é eterno! Felizmente, tudo é passageiro. A vida moderna faz com que nos apeguemos a tudo com muita intensidade. Não gostamos quando temos que nos separar delas. É penoso, causa sofrimento. É inevitável a separação. O apego é uma característica normal do ser humano. Enquanto nos desenvolvemos como pessoas, buscamos avidamente nos libertar dos apegos que fazem com que soframos.

Não pense que se apegar é algo ruim. Pelo contrário: amar e ser amado, querer bem e ser querido bem, nos apegamos, são situações positivas. Contudo, isso deve acontecer de maneira equilibrada.

Então, por que sofremos tanto diante de uma perda? Há um processo na Psicologia que nomeamos de enlutamento, que pode ser definido como uma série de reações que são normais diante de qualquer perda que sofremos. De acordo com o psicólogo José Paulo da Fonseca, esses são os momentos do enlutamento:

1) Choque: é o abalo , o desespero e atordoamento, entorpecimento, confusão que nos acomete ao receber uma notícia de perda. Daí podemos reagir com apatia ou com agitação.

2) Negação: é a descrença na notícia ou no fato. A pessoa não acredita no que aconteceu. Trata-se, aqui, de uma defesa psicológica para fortalecimento da pessoa para ela poder dar continuidade.

3) Ambivalência: é a dúvida que a pessoa fica entre a aceitação e a não aceitação da notícia ou do fato.

4) Revolta: aqui a pessoa já acreditou na notícia ou no fato e fica revoltada com a situação, com as pessoas e até mesmo com Deus.

5) Barganha: é uma tentativa de conseguir de volta aquilo que foi perdido. Geralmente esta reação é dirigida a Deus.

6) Depressão: é uma profunda tristeza, que varia de acordo com o tipo e intensidade de apego que a gente tem com a pessoa ou situação de perda.

7) Aceitação e Adaptação: é quando a pessoa percebe que não tem mais jeito, que ocorreu mesmo a perda e a vida precisa continuar.

Sempre que perdemos algo ou alguém valoroso a nós, passamos por todas essas etapas. Caso a pessoa não se permita vivenciar uma parte desse processo, está se manifestará de uma maneira danosa, como a psicossomatização, por exemplo. (Psicossomatização é uma reação temporária provocada por um acontecimento muito forte na vida do indivíduo e que o tenha deixado em estado de choque, ao ponto do organismo preparar uma resposta orgânica simbólica, ou seja, adoecer).

Aceitar o tempo de sorrir e o tempo de chorar é fundamental. Negar a dor é ruim. É o mesmo que negar a própria vida. A dor é passageira. O sofrimento tem cura.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s